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“Não é Não!” inclusive no Carnaval
   Felipe  Camelo  │     8 de fevereiro de 2018   │     16:24  │  0

Quem tá por dentro das notícias que circulam mundo afora, com certeza deve ter ouvido falar da campanha “Time’s Up”. Manifesto contra o assédio sexual à mulheres que começou após inúmeras denúncias em Hollywood, envolvendo nomes importantes da indústria cinematográfica, como o premiado produtor Harvey Weinstein e o badalado ator Kevin Spacey.

Em apenas 1 mês, o movimento já havia angariado US$20 milhões em defesa da causa, e atualmente já possui + de 300 assinaturas de estrelas do cinema, incluindo a brasileira Alice Braga. “A gente ainda sofre muito com o direito de igualdade entre homens e mulheres. A igualdade de gênero não é só importante no mundo artístico, mas em todas as áreas da sociedade. E o ‘Time’s Up’ é 1 movimento que apoia também mulheres em outras áreas. Nós temos a sorte de poder usar a nossa voz e o nosso reconhecimento com a profissão para poder ajudar as pessoas. Muitas vivem isso diariamente e não têm essa chance”, disse em entrevista pra ‘Revista 29Horas’.

A fala de Alice têm grande fundo de verdade. A coragem dessas atrizes e produtoras têm muito + força sobre nós, meros mortais, do que qualquer propaganda de televisão ou ‘textão’ no Facebook. Afinal, se tratam de pessoas de renome e influência mundiais, que podem inspirar outras a levantarem a voz. Não é à toa que a discussão sobre assédio sexual e machismo está em alta no momento (e tomara que continue assim por um bom tempo).

Vale acesso: “Time’s Up”, ou seja, o “Tempo Acabou”

A internacionalmente conhecida, e brasileira, Alice Braga. Foto: Reprodução

Pensando nisso, podemos trazer o assunto pra terras tupiniquins, afinal, está chegando o Carnaval, que como o nome já diz, é a festa da carne. Folia, frevo, muita bebida, e é claro, pegação, não podem faltar. Mas é preciso manter o respeito na hora do xaveco, e principalmente, lembrar que “Não é não!”.

Este é o lema que não sai da boca das pessoas que já estão cansadas dos avanços típicos deste divertido, mas traiçoeiro, feriado. E infelizmente, apesar de ser algo tão simples de se entender, ainda é preciso ser reiterado todos os anos n’esta época. Por isto várias empresas têm feito campanhas pra alertar, educar e prevenir.

Imagem: Reprodução

À exemplo da Mack Color Etiquetas Adesivas, que irá distribuir 1.000.000 de adesivos “Não é não!”, fazendo parte da #AconteceuNoCarnaval “lançada em 2017, para coletar relatos de foliões que presenciaram ou sentiram na pele a violência durante o Carnaval”.

Outra é a marca de preservativos Olla, que criou a “Liga da Pegação”, reunindo Cléo Pires, Pabllo Vittar e Lucas Lucco pra representá-la, usando da influência midiática do trio pra passar 1 mensagem de respeito, empoderamento e diversidade, + ou – no esquema das atrizes do “Time’s Up”.

Pra Cléo “Todo mundo deve ter o direito de poder curtir a festa da maneira que quiser e se sentir à vontade, mas, claro, com proteção. É importante que as pessoas possam se divertir, fazer a pegação que desejarem e aproveitar o carnaval com tudo que ele pode oferecer”.

Foto: Reprodução

Num mundo ideal, nenhuma dessas “advertências” seriam necessárias. Forçar outro ser humano a fazer algo que ele não queira, principalmente sexualmente, é algo + do que criminoso, é desumano. Então, é muito bom saber que cada x + pessoas e entidades vêm se movimentando pra combater tal atrocidade, sem fugir do assunto. E enquanto este tipo de absurdo continuar existindo, estaremos aqui pra falar sobre.

Assim, nossa dica é a seguinte: curtam o feriado, dancem, divirtam-se e não deixem de ficar com ninguém. Só lembrem-se que o desejo têm que ser mútuo, recíproco, bilateral, e “Não” é “Não”!!!

 

 

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“Time’s Up”, ou seja, o “Tempo Acabou”
   Aldia  Sampaio  │     12 de janeiro de 2018   │     14:05  │  0

“Não ter voz própria”, “aceitar investidas por medo de perder o emprego”, “ser assediada constantemente”, “não ter credibilidade”, “sem espaço no mercado de trabalho”, “ter que obedecer sem questionamentos”… e ainda escutar no fim do dia que “tudo isso é mimimi“, que “seus sentimentos são sempre exagerados”, que “deve ser culpa da TPM”, que “deveria agradecer por 1 homem estar lhe assediando”, que “você sempre é a culpada de ter sido estuprada porque estava com 1 roupa muito curta”… brigar com outra mulher por causa de 1 homem, porque foram ensinadas que conseguir 1 casamento era + importante, que outra mulher é inimiga e não amiga… e ainda ter que se manter dentro dos “padrões de beleza”.

Foto: Reprodução

Mas, ainda bem que os tempos e as atitudes estão mudando.

As mulheres se cansaram, e tomaram consciência do seu poder.

Cada dia +, vemos as consequências que estão chegando com tudo isso. E antes de + nada, feminismo não é o contrário de machismo, e sim, 1 busca por igualdade, sendo ela social, política ou econômica.

Foto: Getty Images/Reprodução

Foram bastantes agitados os últimos meses de 2017, em Hollywood, atrizes, cantoras, produtoras… se mobilizaram, quebraram o silêncio e resolveram revelar os assédios ou estupros sofridos por grandes produtores, atores, empresários, agentes… trazendo à tona este “tabu”.

Claro que não é menosprezando a enorme quantidade de mulheres anônimas que denunciam todos os dias seus abusadores, mas é porque quando 1 figura pública expõe este tipo de comportamento, ganha maior visibilidade e encoraja outras tantas mulheres a fazerem o mesmo.

Foto: Reprodução

Por isso, o protesto que aconteceu na premiação Golden Globe é tão importante e significativo. A ação partiu de 1 grupo de atrizes que formaram o projeto #TIMESUP (ou “O tempo acabou”), com o objetivo de arrecadar fundos pra ajudar mulheres que sofreram e sofrem abusos.

1 das 1ªs atitudes foi chamar todas os convidados da premiação, incluindo homens, a usarem preto em prol do projeto e mostrar que vieram pra lutar contra o fim deste ciclo de poder formado por estes grandes produtores, empresários e afins.

Foto: Arthur Mola/Invision/AP/Reprodução

Enquanto isto no outro lado do Atlântico, Catherine Deneuve e + 99 francesas, entre elas, atrizes, jornalistas e acadêmicas, escreveram carta aberta, publicada no Le Monde, confirmando o “direito” dos homens poderem “ser livres pra flertar as mulheres”.

E reforçam, “Os homens têm sido punidos sumariamente, forçados a sair de seus empregos, quando tudo o que eles fizeram foi tocar o joelho de alguém ou tentar roubar um beijo”, ou “Estupro é crime, mas tentar seduzir alguém, mesmo de forma insistente ou desajeitada, não é”.

Enquanto Catherine Deneuve fez infeliz comentário, considerado retrogrado por meio mundo de gente, incluindo homens, a atriz, escritora, apresentadora e 1 das mulheres + influentes dos Estados Unidos, Oprah Winfrey deu 1 incrível e empoderado discurso:

 

E esse pensamento das francesas não está tão longe do Brasil, já que a escritora Danuza Leão não se controlou e deu sua opinião sobre protesto das americanas.

“Não acho que as denúncias de assédio possam gerar uma ‘caça às bruxas’ porque são uma coisa ridícula, pra começo de história” ou “É ótimo passar em frente a uma obra e receber um elogio. Sou desse tempo. Acho que toda mulher deveria ser assediada pelo menos três vezes por semana para ser feliz”. E ainda declara que é algo “pecaminoso” quando, por causa da denúncia, 1 homem é tirado do seu emprego.

Incrédulo e morto de vergonha com o posicionamento da avó, o fotógrafo João Wainer (neto dela e Samuel Wainer), publicou em sua conta no Instagram a imagem de um muro com uma pichação “Minha vó tá maluca!”, em alusão à letra de um funk. Fotos: Reprodução

Convenhamos, o homem perde o emprego (se perder), mas logo consegue outro, mas vocês já perceberam que se fosse 1 mulher a passar por 1 situação constrangedora, ela não perderia só o trabalho, mas toda sua carreira? Exemplo disto é o ator americano Johnny Deep, acusado de agressão pela ex-esposa, mas que continua estrelando vários filmes; enquanto a cantora Janet Jackson teve declínio em sua carreira após, por erro de figurino, mostrar o mamilo em rede nacional.

As situações são totalmente diferentes, com pesos diferentes, mas por ser 1 mulher numa indústria comandada por homens, Janet não teve muita chance.

Estamos na hora de refletirmos sobre esses acontecimentos e nos unir, seja homem, mulher, simpatizante e afins, pra acabar com toda este constrangimento, dominação, submissão e medo.

Em vez de ensinar a sua filha que ela deve vestir 1 roupa + “composta” por causa dos olhares dos homens, que tal ensinar ao seu filho a respeitá-las? E “não” é “não”, por favor, não insista!!!

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