Tag Archives: Guaxuma

Bem + que Animação
   Felipe  Camelo  │     22 de agosto de 2018   │     17:15  │  0

Passam-se os anos, renovam-se as tecnologias, mas se tem 1 coisa que não fica ultrapassada de maneira nenhuma no cinema é o ‘stop motion’.

E não que ele ainda seja muito necessário, já que os efeitos visuais em computação gráfica são 1 recurso que economiza bem + tempo e pode até sair + barato. O negócio é que a animação em ‘stop motion’ além de ter 1 charme todo próprio, por si só já chama atenção pela técnica, paciência e domínio necessários pra conduzi-la.

Pra quem chegou até aqui com 1 interrogação na cabeça e ainda se pergunta do que bulhufas estamos falando, você provavelmente já deve ter visto pelo menos 1 filme na vida que usava este danado deste recurso. Traduzindo pr’o português, ‘stop motion’ seria algo como “movimento parado”, mas na linguagem do cinema significa bem + que isso.

Fotos: Reprodução

Pra entender, é preciso saber que 1 câmera filmadora não registra 1 movimento completo, o que ela captura são vários fragmentos deste movimento, criando a sensação de continuidade e fluidez. Ou seja, é como se ela tirasse várias fotos, ou quadros, que juntos formam o vídeo. Pra ser + preciso, 24 quadros por segundo, ou + recentemente, 48.

O ‘stop motion’ consiste em posicionar em sequência várias fotografias de 1 objeto inanimado em posições diferentes, pra assim, simular o movimento e parecer que ele está ganhando vida. Hoje este recurso é muito utilizado em animações como “A Fuga das Galinhas” ou “O Fantástico Senhor Raposo”, que utilizam bonecos feitos de massa de modelar ou madeira. Mas nos primórdios de Hollywood o ‘stop motion’ aparecia + comumente em filmes com atores reais, como substituto pr’a tecnologia em efeitos visuais que só seria criada posteriormente.

King Kong de 1933.

Por exemplo, se o cineasta queria fazer 1 filme sobre 1 gorila gigante que tem como feito principal sequestrar a protagonista, escalar o Empire State Building e lutar contra helicópteros, ou ele gastava 1 dinheiro absurdo tentando montar tudo isso em estúdio e arriscava toda verossimilhança do projeto, ou ele apelava pro ‘stop motion’, muito + barato, seguro, e que poderia ser feito em maquetes com espaços reduzidos. Pois foi isso que os diretores  Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack fizeram em 1933 com o clássico “King Kong”.

 

Claro que é 1 método demorado – 1 cena de 2 minutos pode demorar dias pra ficar pronta – mas quebrava bem o galho quando o assunto era levar pra tela animais fantásticos, monstros e alienígenas que obviante a gente não encontra todo dia por aí, pelo menos não no planeta terra.

Outros filmes que se utilizaram do artifício foram os das franquias “Star Wars”, “Robocop” e “Exterminador do Futuro”. Até “Jurassic Park”, de 1993, que foi lançado na época em que os efeitos visuais estavam começando a se tornar + realistas, quase caiu nas graças do ‘stop motion’. Existem cenas inteiras disponíveis na internet, que Steven Spielberg gravou usando a técnica como teste na pré-produção do longa.

Foto dos bastidores de “Kubo e as Cordas Mágicas”.

Ao longo dos anos, o artifício continuou sendo utilizado, mas não se estagnou, muito pelo contrário, está em constante evolução, sendo inclusive mesclado, em algumas animações, com o seu algoz, o efeito visual gerado por computador. Inclusive, “Kubo e as Cordas Mágicas” e “O Estranho Mundo de Jack” são exemplos de obras que foram indicadas ao Oscar, tanto na categoria de “Melhor Animação” quanto em “Melhores Efeitos Visuais”, pelo excelente uso de ambas as técnicas fílmicas.

Nesta constante metamorfose, tem até filme com DNA alagoano em ‘stop motion’ com 1 diferencial inusitado: a animação é feita com areia.

O nome do curta-metragem é “Guaxuma” e apesar ter assinatura pernambucana foi dirigido por Nara Normande, que morou durante a infância na praia homônima do litoral norte de Maceió. Pode não ser o precursor nesta história de usar a areia como cerne da produção, mas certamente tem toda pinta de que pode popularizar o negócio.

A trama é baseada nas memórias da cineasta, e é 1 drama de 14 minutos sobre 2 amigas abaladas por 1 tragédia quando crianças. O projeto, de tão pitoresco, teve de buscar apoio na França, com animadores que já haviam trabalhado com areia e, apesar de curto, levou 2 anos e 8 meses pra ficar pronto (!!!), tamanha a complexidade da empreitada, sendo gravado na própria Guaxuma e praias de Recife, França e Portugal.

“Guaxuma” tem feito bastante sucesso, e depois de passar por festivais respeitados no ramo das animações, como “Annecy” e Anima Mundi, e chamado bastante atenção, agora se encaminha pra ser exibido nos festivais de Gramado e Brasília. Toda esta badalação, só garante ainda + a presença da obra no Kikito (o Oscar brasileiro), o que não deve ser difícil de conseguir já que é 1 dos 14 candidatos à categoria de “Melhor Curta-metragem Nacional”.

Só ficamos na torcida pra ver o + rápido possível esta pérola do ‘stop motion’, e melhor ainda se for na sua casa de direito, Maceió, é claro.

Tags:,

>Link