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Ideológico, Social e Cultural
   Felipe  Camelo  │     30 de agosto de 2018   │     16:28  │  0

O que + impressiona na arte é o poder e o potencial que ela tem de ser universal.

Você pode vir de qualquer parte do mundo, inclusive dos cantos + recônditos, mas alguém em algum lugar do outro lado do globo pode observar 1 obra sua e se identificar, mesmo que tenha experiências, concepções e culturas totalmente diferentes. Desta forma, a arte pode ser 1 grande agregador, 1 condutor pra união de raças, tribos e credos.

Quer exemplo?

Desde 1990, o Deserto de Black Rock em Nevada, nos Estados Unidos, recebe anualmente 1 dos maiores festivais de contracultura do mundo, conhecido como “Burning Man”. Trata-se de 1 grande catarse coletiva de expressão e experimentação criativa e colaborativa. Quase 1 pequena metrópole levantada no meio do nada com ajuda integral de voluntários, onde a regra é: não há regras, não importa o que você faça, contanto que seja autêntico.

Foto: Reprodução

De acordo com o Wikipédia, “pessoas nuas com os corpos pintados, carros decorados, barracas enfeitadas, instalações gigantescas, sol forte, isto é o Burning Man”.

Foto: Reprodução

Mas o que isso tem a ver com arte? Absolutamente tudo!!! A expressão por si só é 1 arte, mas vai muito além. Lá é possível encontrar também 1 grande galeria a céu aberto, batizada de “Playa”, e bem no centro, a gigante escultura de madeira que dá nome ao festival, “Homem em Chamas”, traduzindo pr’o português. Já dá pra imaginar porquê, né? Ao fim da festa a escultura é totalmente queimada, pra alegria dos 80 mil visitantes do mundo inteiro que comparecem ansiosos por este momento.

Foto: Reprodução

Parece loucura, e há quem ache que se trata de 1 ceita pagã ou 1 cópia do famoso Woodstock, mas a verdade é que o “Burning Man” é 1 experimento social, 1 celebração com o intento de agregar e cultivar as relações entre os seres humanos de várias maneiras, mas principalmente através da arte, provocando os talentos individuais e intransferíveis de cada 1. Em resumo, é 1 momento coletivo, que acontece 1 vez por ano, como alternativa pr’o consumismo cotidiano e pra cultura de massas.

E quando dizemos que o festival acolhe gente do mundo todo não é eufemismo. A edição deste ano vem acontecendo desde o último dia 26 com encerramento em 4 de setembro e tem até brasileiro na jogada, em especial 1 alagoano.

Foto: Reprodução

O artista visual Lucas Lamenha está expondo neste exato momento no festival, dentro do espaço “Camp Favela”, formado por brasileiros que vivem na Califórnia. O alagoano leva pra sua exposição individual 13 novas peças exclusivas experimentais e inovadoras que dialogam, além de tudo, com o tema do evento deste ano “I, Robot”, alusão ao livro de contos do saudoso escritor de ficção científica Isaac Asimov.

Arte de Lucas Lamenha. Foto: Acervo Pessoal – Reprodução

Nas telas, a história do festival, desde referências ao próprio fundador até ao mundo atual, altamente tecnológico, com mensagens de respeito, paz, união e sustentabilidade, os valores pregados pelo “Burning Man”. Só + 1 vitrine pra este artista alagoano que já teve a oportunidade de apresentar suas obras em galerias baladérrimas de Londres, Nova York, Milão e Miami.

Não é muito provável, mas se estiver lendo isto enquanto está perdido no deserto de Nevada, dê 1 passada no “Burning Man” (temos certeza de que será muito bem recebido) e aproveite pra conferir a nata da arte alagoana contemporânea ganhando o mundo. Ironicamente no pedaço de terra + afastado do mundo, ideologicamente, socialmente, culturalmente…

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