Educação + Lixo = Luxo
   Felipe  Camelo  │     23 de outubro de 2018   │     16:32  │  0

Há pouco + de 1 mês, discutimos aqui no blog sobre a importância de descartarmos o nosso lixo de maneira responsável. Claro, não depende só de nós, é preciso fazermos a nossa parte, evitando o uso de sacolas, canudos ou copos que usamos por alguns segundos e levam anos pra se decomporem na natureza, mas a maior parte do trabalho está relacionada a políticas públicas de descarte de todo o resíduo.

Na matéria, também abordamos o projeto Relix, que trouxe temporariamente pra Maceió supercampanha muito bem vinda de conscientização em relação ao nosso lixo e, claro, à sustentabilidade que deve vir de forma inerente quando pensamos no assunto.

Vale acesso: Recusar, Repensar, Reduzir…

Eis que apenas 1 mês depois, retornamos ao assunto, não só porque não poderia ser + atual, mas também porque é 1 problema com o qual precisamos lidar diariamente. Em teoria, todos os lixões do Brasil deveriam ser finalizados em 2014. Este foi o prazo dado pela Política Nacional dos Resíduos Sólidos. Tá na Lei Federal 12.305/2010.

Fotos: Reprodução

Pois estamos aqui, depois de 4 anos do ‘deadline’ e esta expectativa não poderia estar + longe da realidade. Pelo contrário, levantamento da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais aponta que em 2017 o despejo inadequado do lixo apenas aumentou, pelo menos 3% de 1 ano pr’o outro.

Junte isso ao fato de que a produção de lixo também subiu – dá pra cobrir 1 campo e 1/2 de futebol com os 378 kg de lixo produzidos por habitante anualmente. Ou seja, + resíduos despejados em + locais inadequados. Não precisa nem dizer o impacto destes nºs no meio ambiente e na saúde pública.

R$ 3 bilhões é a pequena bagatela gasta por ano com o tratamento de saúde de pessoas que ficaram doentes por causa da contaminação provocada pelos lixões, 2º reportagem do G1.

Pra se ter 1 ideia, das 5.570 cidades brasileiras, quase metade não possui plano efetivo pr’o manejo do lixo. Em matéria que foi ao ar em 8 de maio do ano passado, o Jornal Nacional denunciou problemas em alguns dos estados brasileiros + populosos.

“Na Bahia, o recorde é no número de lixões, o maior do país: são mais de 300 vazadouros em situação irregular. Brasília só tem um lixão: a 20 quilômetros do centro da capital do país, que recebe quase 80% do lixo produzido no Distrito Federal. Em São Paulo, o estado mais populoso e rico do Brasil, a maior parte do lixo vai para o lugar certo: os aterros sanitários. Mas 14 mil toneladas de resíduos sólidos ainda vão para lixões diariamente”, cita a reportagem.

Você deve estar se perguntando: “E Alagoas?”. Pois bem, pelo menos neste quesito podemos ter muito orgulho da nossa terra, já que desde maio deste ano todos os lixões foram encerrados nos 51 municípios do território caeté. Foi o 1º estado do Nordeste a concretizar o feito e o 3º de todo o país.

Se imaginarmos que em 2017, na mesma época, 60% das cidades ainda mantinham lixões em locais inadequados, com 95% dos resíduos produzidos abandonados a céu aberto, é de se louvar o trabalho conjunto do IMA/AL com o Ministério Público Estadual, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos e a Associação dos Municípios Alagoanos, pela preservação do meio ambiente.

Tá bom que não é + do que a obrigação, mas se levarmos em conta que a grande parte do país ainda não se enquadrou na tal Lei de Resíduos Sólidos, então temos sim o que comemorar!!!

Não a toa existem gestores de outros estados que já estão de olho no projeto de erradicação dos lixões aqui de Alagoas. Esta semana, por exemplo, o IMA/AL recebeu a visita de Pedro Aurélio de Carneiro, presidente da Agência Executiva Metropolitana do Maranhão, pra conhecer com + afinco a iniciativa.

Atualmente o Maranhão, estado com 217 municípios, possui apenas 1 aterro sanitário que atende somente a capital São Luís. Entre outras coisas, o presidente falou no encontro sobre a dificuldade de gerenciar 1 território tão grande e expressou o exemplo que estamos dando pr’o resto do país, saindo da estaca 0 e acabando com 100% dos lixões num espaço de 3 anos. “Venho acompanhando há um tempo o trabalho de vocês e garanto que muita gente ainda vai querer vir aqui ver de perto”, afirmou.

Boa administração? Boas intenções? A certeza é que quem ganha é o meio ambiente e, claro, a saúde do alagoano agradece.

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