‘Over the Rainbow’, a Dura Realidade
   Felipe  Camelo  │     12 de outubro de 2018   │     10:00  │  0

É muito comum contarmos histórias pr’as crianças dormirem como 1 forma de distração. Aqueles contos de fadas sobre princesas, dragões e cavalos brancos. O que muita gente não sabe é que a maioria destes contos tem origens bem distantes do inocente mundo infantil.

Charles Perrault, e posteriormente os conhecidos irmãos Grimm, foram quem popularizaram estas historietas lá na Idade Média. Inicialmente, elas eram passadas adiante apenas de forma verbal, não havia nenhum registro escrito, e por isso, muitas delas com certeza não tem + nada a ver com a versão original. Ainda + depois das versões coloridas de Walt Disney e companhia.

Foto: Reprodução

Não, senhor!

Os “contos de fadas” de hoje, eram histórias aterradoras que faziam paralelos com a vivência, costumes e crenças da época pra alertar às crianças sobre as maldades que existiam no mundo lá fora. Mas sempre lembrando que estamos falando da Idade Média.

A Cinderela não tinha Fada Madrinha, ela fazia 1 pacto com o demônio, e suas irmãs cortavam pedaços dos pés pra caberem no sapatinho de cristal, na tentativa de galgar 1 espaço na alta sociedade. A Bela Adormecida? Não foi acordada pelo príncipe com 1 beijo de amor verdadeiro, ela foi estuprada, e ficou grávida enquanto ainda dormia!!!

Foto: Reprodução

Sim, estas histórias eram contadas pra crianças!

Claro, numa época em que a divisão entre infância e maturidade não existia realmente. Com o passar do tempo, as pessoas finalmente se tocaram que precisavam aliviar os contos se fosse pra continuar contando eles pr’os pequenos. Foi 1 mudança gradual, alterando momentos chave e acrescentando lições de vida, até chegarmos nas solares princesas ‘Disneynianas’ que conhecemos hoje.

No entanto, esta fórmula didática de ter obrigatoriamente 1 ensinamento no final de cada historinha começou a ser questionada por alguns autores lá no início do século XX, que acreditavam que elas deveriam focar apenas no entretenimento. Em contrapartida, esta corrente defendia narrativas menos violentas com personagens + virtuosos e criativos.

1 dos defensores da onda era o americano L. Frank Baum, que, em 1900, escreveu o clássico dos clássicos “O Mágico de Oz”, considerado por muitos o 1º conto de fadas americano. Com certeza você já ouviu falar da obra, todo mundo já ouviu. Ela se tornou 1 sucesso instantâneo em seu lançamento, o que obrigou Baum a escrever e autorizar a produção de várias continuações.

Foto: Reprodução

É aquela velha história de Dorothy e de seu cãozinho Totó, que são pegos por 1 tornado e jogados pra bem longe, na colorida Terra de Oz. Como se não bastasse, a casa da protagonista vai junto, e cai bem em cima da Bruxa Malvada do Leste. Os nativos Munchkins a glorificam como salvadora, mas tudo que ela quer é voltar pro seu lar, no Kansas.

Capa original de ‘O Mágico de Oz’, de L. Frank Balm. Foto: Reprodução

No entanto, isso não será 1 tarefa das + fáceis. Ela terá que atravessar 1 longa estrada de tijolos amarelos pra encontrar o incrível Mágico de Oz, pois só ele pode realizar o seu desejo. Claro que ela tinha de ser atrapalhada por 1 vilã, a Bruxa Malvada do Oeste, mas o lado bom é que pode encontrar amigos no caminho: o Espantalho, que quer 1 cérebro + do que tudo na vida; o Homem de Lata, que precisa desesperadamente ter 1 coração; e o Leão covarde, que anseia ao menos 1 pouco de coragem.

Todas estas figuras errantes e desajustadas partem em busca do Mágico que irá tornar seus sonhos realidade.

O que fica notório, se observarmos a obra com cuidado, é que apesar da vertente filosófica adotada por L. Frank Baum de deixar de lado as lições de moral e focar na diversão, “O Mágico de Oz”, possui sim 1 ensinamento escondido através de alegorias. Os personagens principais, sem exceção, possuíam exatamente tudo que queriam o tempo todo sem nem se dar conta, enquanto buscavam por 1 solução fácil, divina, que resolvesse seus problemas por eles.

Foto: Reprodução

O Espantalho nunca precisou de 1 cérebro pra ser 1 ser pensante de fato, o Homem de Lata nunca precisou de 1 coração pra demonstrar afeto a ninguém, e o Leão Medroso no final das contas era o + corajoso de todos, afinal, é preciso muita coragem pra superar seus medos. Até mesmo Dorothy descobre que o retorno pra casa esteve bem debaixo dos seus pés o tempo inteiro.

Todas as virtudes, sonhos, objetivos, estavam dentro deles próprios!!!

Foto: Reprodução

É por estas e outras razões que a magia de “O Mágico de Oz” perdurou depois de tanto tempo. Isso e também o filme de 1939. Dirigido por Victor Flemming, a adaptação homônima feita pr’as telonas contou com Judy Garland no papel de Dorothy e além de ser considerado 1 marco na história do cinema, por todo primor técnico (foi 1 dos 1ºs filmes coloridos e o que melhor usou o ‘technicolor’ em sua época), também colocou no mapa a canção “Over the Rainbow”, tão reproduzida, copiada, parodiada e traduzida em diversas línguas posteriormente.

A qualidade indubitável foi reconhecida com 7 indicações ao Oscar em 1940, ganhando nas categorias ‘Melhor Trilha Sonora Original’ e ‘Melhor Canção Original’.

Foto: Reprodução

 

Por sorte, poderemos conferir a maravilhosa trilha ao vivo às 4 da tarde de amanhã, dia 13, no Teatro Gustavo Leite. Em cena, “O Mágico de Oz – O Musical”, com direção de Glauber Teixeira.

Não teria melhor momento pra chegada do espetáculo, já que estamos comemorando nada menos que o Dia das Crianças. Os cenários cheios de efeitos especiais contam com reproduções que movimentam e dão vida a mágica Terra de Oz, o que com certeza irá encantar os pequenos. Enquanto isso, design e figurino fazem 1 releitura de tons medievais da obra original de Baum.

Foto: Reprodução

A produção executiva é de Laís Oliveira, que ainda interpreta a protagonista Dorothy. Moab de Oliveira, além de interpretar o icônico Leão covarde, também assina a produção artística e a direção de luz. Ainda no elenco, Erick Walker como Espantalho; Cleyton Alves, como o Homem de Lata; Rei Tito, como o Mágico de Oz; Dália Monteiro, como a Bruxa Malvada do Oeste; e Tayná Dias no papel de Glinda, a bruxa boa do norte.

 

Prato cheio pr’as crianças, saudosismo pr’os adultos e diversão pra toda família.

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