Monthly Archives: outubro 2018

Picasso? Basquiat? Warhol? Diego Barros!!!
   Felipe  Camelo  │     31 de outubro de 2018   │     17:17  │  0

Nunca é tarde pra darmos 1 volta em 360º em nossas vidas.

Tem gente que tem talento pra tudo. Tem gente que tem aquela aptidão em determinado assunto que vale por 100. E tem gente muito dotada que nem ao menos sabe o talento que possui. O que importa é reconhecer que somos seres multi-facetados, capazes de criar foguetes pra lua, obras de arte e poesia.

Assim, você pode viver preso dentro de 1 escritório ou desbravando terras desconhecidas pela humanidade em seu ambiente de trabalho, contanto que faça aquilo que lhe faz bem e, claro, o que você realmente tem aptidão pra fazer. Nunca é tarde pra descobrirmos 1 nova faceta em nós mesmos – ou 1 que estava escondida há algum tempo – e nunca é tarde pra começarmos a exercê-la da melhor forma possível.

Se olharmos com atenção, não é pequena a lista de personalidades que começaram a fazer aquilo que as deixaram famosas depois de certo tempo.

Fotos: Reprodução

Por exemplo, muito provavelmente você não sabe quem é Kristen Wiig, mas com certeza já deve tê-la visto em algum dos inúmeros filmes de comédia em que atuou, como “Missão Madrinha de Casamento” e o remake de “Caça-Fantasmas”. A atriz estudou Artes na Universidade do Arizona e seus planos eram trabalhar em 1 clínica de cirurgia plástica, desenhando o resultado final das operações, assim que terminasse a faculdade.

Por sorte, 1 professor de representação de seu curso lhe deu o toque certeiro de que ela poderia investir na carreira de atriz. Pensando nisso, Kristen se mudou pra Los Angeles, mas passou anos trabalhando com comércio antes de se juntar a 1 trupe de improvisação. Ela já tinha 32 anos quando entrou pr’o elenco do Saturday Night Live e começou a carreira cinematográfica de fato.

Harrison Ford, o eterno Han Solo, foi outro que demorou pra achar sua vocação. Formado em Inglês e Filosofia, o outrora galã de Hollywood até já tinha feito algumas pontas em filmes de baixo orçamento, mas com esposa e filho pra criar resolveu levar a vida como carpinteiro, o que à época lhe garantia + estabilidade.

A reviravolta aconteceu em 1973, aos 31 anos de idade, quando 1 cliente lhe apresentou ao diretor George Lucas e o pediu pra adicioná-lo em seu próximo filme “American Grafitti”, com elenco majoritariamente formado por atores jovens e amadores. Daí pra ser convidado pra “Star Wars”, o projeto seguinte de Lucas, foi 1 pulo. Nada menos do que a maior franquia da história do cinema.

Mas talvez o maior exemplo de todos seja o lendário Walt Disney. Ainda muito novo começou a estudar Artes, pelo menos até a 1ª Guerra Mundial pegar todo mundo de supetão. Neste caso, o desejo do criador do Mickey Mouse era mesmo ingressar no exército e lutar pelo seu país. Passou 1 ano na Cruz Vermelha, dirigindo ambulâncias na França sitiada.

Com o fim da guerra, continuou os estudos enquanto trabalhava em algumas agências publicitárias, chegando até a ser editor de jornal. Cargo no qual não durou muito, sendo demitido por “lhe faltar imaginação e boas ideias”. O saudoso produtor só começou a carreira no cinema ao ajudar a desenhar cartazes e propagandas de filmes pra 1 companhia cinematográfica. Junto com o irmão criou a produtora “Laugh-O-Gram” logo depois, o que viria a se tornar a Walt Disney Studios, hoje simplesmente 1 das maiores empresas do mundo.

O resto é história.

Enfim, o ponto aqui é que você não precisa se prender a 1 carreira, 1 modo de ver o mundo, apenas 1 direção. Somos seres em constante mutação. Podemos escolher seguir o fluxo do tempo ou nos redescobrir todo dia. Com novas aspirações, novos rumos…

Fotos: Thomaz Japiassú – Cortesia com Exclusividade

Digo isso porque recentemente Kaká Marinho me apresentou 1 novo talento do qual decidimos tomar 1 tempo pra falar sobre. O nome do artista é Diego Barros, e apesar de parecer experiente por carreira, a julgar pelas obras, ele na verdade é administrador por formação.

Desde os 3 anos de idade sempre surpreendeu pelo seu talento nato, mas nunca se dedicou definitivamente ao negócio. Depois de formado, sentiu cada vez + vontade de se dedicar na área das artes plásticas, especialmente com as técnicas de pintura em caneta Posca, tinta acrílica e spray, por vezes mixando com colagens e desenhos realistas.

Toda a produção do + novo artista alagoano está sendo divulgada nas redes sociais, deixando os espectadores boquiabertos com a exuberância das cores e a criatividade dos temas sobre as telas. O conceito? As obras vão desde relatos biográficos a críticas sociais com inspiração eclética pelo primitivismo de Basquiat, o surrealismo de Picasso e o Pop Art de Andy Warhol.

Não existe 1 exposição marcada ou 1 encomenda feita, existe apenas a vontade de fazer. A arte é espontânea, natural, assim como o dom. Aqui fica apenas o desejo por + e a promessa pr’o futuro brilhante.

Tags:

>Link  

Marcas da Ignorância, na Pele e na Alma
   Felipe  Camelo  │     30 de outubro de 2018   │     17:25  │  2

 

O Brasil é 1 país fundado por escravos.

Não somos nós que estamos dizendo, são os livros de história. Nosso país, de faixa territorial enorme, a nível continental, nunca poderia ser colonizado por 1 nação com população de pouco + de 2 milhões de habitantes como Portugal. Faltaria recurso humano, faltou recurso humano.

Com isso, o tráfico de escravos virou 1 negócio superlucrativo pr’os europeus, que poderiam vendê-los facilmente nos portos brasileiros, desesperados por mão de obra africana. E isso é 1 detalhe importante: a maior parte dos escravos vinha da África, negociados com colonizadores ingleses e transportados através de navios negreiros.

Fotos: Reprodução

Claro que os nativos indígenas também foram utilizados de maneira escravocrata, mas estes encontraram nos missionários religiosos grandes aliados que se mostravam oposição a prática. O mesmo não pode ser dito dos negros. A repulsa histórica provocada por preconceito racial não lhes permitiu serem “dignos de pena”, nem ao menos dos clérigos.

A escravidão permaneceu em solo tupiniquim por pelo menos 400 anos.

Seres humanos como você e eu foram submetidos às + brutais formas de humilhação já cometidas pela humanidade. Tratados como animais, os africanos trabalhavam muito sem receber absolutamente nada em troca, a não ser trapos como vestuário e comida de péssima qualidade; eram obrigados a dormir em senzalas escuras, úmidas e sem nenhuma higiene; eram acorrentados, pra não poderem fugir; e eram amarrados e açoitados com chicote caso desobedecessem, trabalhassem abaixo da expectativa, ou se os capitães do mato e senhores de engenho simplesmente estivessem com vontade, afinal, eles podiam fazer o que quisessem com suas propriedades.

Anúncios classificados – “Leilão de móveis e escravo, venda de armazém, procura-se criada”. Publicado no jornal santista “O Mercantil”, ano I, edição 7, de sábado, 20 de julho de 1850, página 4. Acervo Memória Biblioteca Nacional Digital.

Os escravos também eram obrigados a aprenderem a falar português, seguirem apenas a religião católica e se desfazerem de suas culturas típicas. Obviamente isso não impedia que eles praticassem rituais de matrizes africanas sempre que tinham 1 brecha e persistissem em manter seus costumes vivos. Portanto, não se assuste em saber que a cultura brasileira tem muito + influência dos escravos do que dos nossos colonizadores europeus.

A capoeira, o candomblé, o acarajé, feijoada, angu, vatapá, cachaça, inhame, maxixe, quiabo, os gêneros musicais, são algumas das heranças deixadas pra nós pelo povo africano trazido à contragosto pra cá.

O Brasil foi 1 dos últimos países a abolir a escravidão, e por livre e espontânea pressão dos europeus. Aconteceu em 1888 com a Lei Áurea, que apesar de declarar proibida toda atividade escravocrata em território nacional, não garantiu nenhuma fiscalização nos engenhos. Ou seja, funcionava no papel, mas na realidade o trabalho não remunerado e abusivo continuou por muitos anos. Além do +, a lei não dava suporte algum aos escravos libertos. A maioria, sem moradia, foi viver na rua, e os que não conseguiam emprego (o + provável, afinal, existe 1 coisa chamada “preconceito”) eram obrigados a roubar pra sobreviver. 1 fardo carregado de geração em geração.

As consequências da escravidão reverberaram na história e sentimos os efeitos colaterais até hoje. Conforme dados do IBGE, até 2014, 76% dos + pobres no Brasil eram negros.

E numa população majoritariamente afro-descendente, o racismo, lamentavelmente, ainda existe.

“Quando seu filho absorve o personagem! Vamos abrasileirar esse negócio! #Escravo”, foi o que publicou no Instagram a tal da Sabrina Flor ontem, dia 29, juntamente com fotos de seu filho de 9 anos “fantasiado de escravo”. A mulher, branca, da classe média alta de Natal, no Rio Grande do Norte, vestiu o menino desta maneira pra ir à festa de Halloween na escola em que estuda. Correntes, farrapos e marcas de chicotada reforçam a caracterização.

Tirem suas próprias conclusões.

“Vamos abrasileirar esse negócio!” Parece até que ela tá falando de Carnaval, de Bossa Nova, de Forró, de Futebol. Agora a escravidão é patrimônio cultural brasileiro?!??!?!

Mas não para por aí!!! Como se não bastasse, a figura ainda solta a seguinte declaração no Twitter:

Pelo visto, a “mamãe do ano” aprendeu história nos mesmos livros que alguns internautas de movimentos recentes aprenderam que a terra é plana e que não houve Ditadura Militar no Brasil. Ignorância ou desonestidade intelectual? Vai saber. As pessoas são capazes de qualquer coisa pra provar que estão certas.

Mas o que também chama atenção é a afirmação seguinte sobre o famigerado “17” e no que isso implica, mas não vem ao caso. O que importa é que não interessa se você votou em A ou B. Racismo é crime, brincar com algo como a escravidão e usar seu filho inocente pra tal, é no mínimo de 1 mal gosto terrível. Você pode ser da esquerda, da direita ou da traseira, É CRIME!!!

A repercussão foi tão grande de ontem pra hoje, com 1 resposta tão negativa, que ela teve de mudar o discurso logo depois. “Queria somente pedir desculpas pelo fato! Jamais foi minha intenção ofender alguém, estou extremamente arrependida por tudo que aconteceu e me sentindo MUITO mal com os xingamentos e ameaças horríveis que estão me mandando. Desculpa a todos, do fundo do meu coração! #paz”, disse a infeliz no Twitter antes de apagar todas as redes sociais.

A repercussão tomou outras proporções e a escola do garoto também se pronunciou:

“Lamentavelmente, a escolha do traje para participação do Halloween, feita pela família do aluno, tocou numa ferida histórica do nosso País. Amargamos as sequelas do trágico período da escravidão até os dias de hoje. O colégio CEI não incentiva, nem compactua, com qualquer tipo de expressão de racismo ou preconceito, tendo os princípios da inclusão e convivência com a diversidade como norte da nossa prática pedagógica.”

Por último, a Promotoria de Justiça de Defesa da Criança e do Adolescente de Natal iniciou investigação na tarde de hoje e afirmou que vai intimar a mulher a prestar esclarecimentos. O procedimento vai transcorrer em segredo de Justiça por envolver 1 criança, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Lembrando que o racismo é considerado no Brasil 1 crime inafiançável. Esperamos que as autoridades lidem com o caso da melhor forma possível, que a mãe seja presa se isso se configurar realmente como crime e, se não, esperamos que ao menos ela tenha recebido a lição. A lei pode até perdoar, mas a internet não perdoa.

A escravatura existiu, não só aqui no Brasil, mas no mundo todo. Ela não é 1 piada, ela não é 1 fantasia de Halloween, ela matou e mata pessoas inocentes até hoje. Banalizar o sofrimento dos outros pra sua diversão é segurar o chicote do açoite.

Tags:

>Link  

Destaque Nacional, os Chefs Alagoanos
   Felipe  Camelo  │     29 de outubro de 2018   │     16:57  │  0

Antes de toda a tensão que foi este último fim de semana, estive na última 6ª-feira no Basilico Ristorante Italiano pra superalmoço com a chef Lory Dori.

Dá 1 olhada nas sobremesas!!!

Além de, obviamente, ter aproveitado bastante toda a boa culinária (o paladar agradece), de bônus ainda acabei me inteirando e me aproximando do projeto Enchefs.

Primeiramente, trata-se de 1 reunião nacional de chefs que acontece tanto de maneira isolada, em vários estados, como também em nível nacional de forma + seleta. Pra participar do evento com feras da gastronomia de todo o Brasil, é preciso já ter ganhado o prestigiado Prêmio Dólmã em edições anteriores ou estar indicado pra próxima edição.

O que é este tal de Dólmã? Calma que vamos explicar!!!

Por exemplo, aqui em Alagoas temos desde 2016 o nosso próprio Enchefs que, dentre outras coisas, propõe 1 circuito de palestras com profissionais da área alimentícia no intuito de valorizar a gastronomia local. No entanto, a atração + importante é o Concurso Profissional que escolhe o chef que irá representar Alagoas no Prêmio Dólmã, competindo com feras de todo território tupiniquim.

Mãe Neide, embaixadora do Enchefs 2018 em Alagoas. Foto: Reprodução

O mesmo acontece no resto do Brasil. Por aqui a seleção ocorreu no último dia 23, na Unidade de Gastronomia da Uninassau, e o grande vencedor foi Gutemberg Farias. Maaaas, eis que há outro “porém”, cada estado tem o direito de levar 3 chefs ou cozinheiros pra representá-lo. Sendo assim, ainda falta conhecermos os outros 2.

O 2º será escolhido através de indicações no enchefsbrasil.com.br. Pra poder ser indicado o concorrente tem que ter pelo menos 5 anos de atuação e residência em Alagoas por no mínimo 3 anos.

O 3º representante é selecionado pela comissão da presidência do Enchefs com a ajuda do(a) embaixador(a) do ano em questão, que é ninguém menos que o vencedor da 1ª etapa na edição anterior. Neste caso, a Mãe Neide Oyá D’Oxum.

Assim, os felizardos, além de terem passe livre no Encontro de Chefs do Brasil 2018 que acontecerá em Goiânia entre os dias 4 e 7 de dezembro, também concorrerão ao Prêmio Dólmã, que conta com 2 categorias. A Estadual que premia 1 chef por estado entre os 3 chefs concorrentes e a Categoria Nacional que premia 1 chef Nacional entre 5 chefs.

Agora, voltando lá pr’o início do texto, vocês devem estar se perguntando o que a Lory tem a ver com tudo isso. Bom, tudo!!!

Prato feito com massa italiana ‘Enforca Padre’ e sururu, mesclando as gastronomias italiana e alagoana. Foto: FC

No dia 6 de novembro o Basilico Ristorante Italiano irá promover jantar especial pra levantar fundos pra viagem do vencedor da etapa alagoana Gutemberg Farias. A chef Lory Dori vem apoiando o projeto desde o início e não poderia deixar de ajudar em + esta. Aqui, a ideia também é homenagear 1 dos patrimônios imateriais de Alagoas, o Sururu de Capote, servindo o melhor da gastronomia italiana e alagoana.

Ficou interessado em ajudar ou simplesmente experimentar esta miscelânea de sabores? Então entre em contato com a Coordenadora Estadual Rebeca Suzy pelo 82 99125-9655 ou pelo e-mail: [email protected] e adquira o seu voucher pr’o jantar.

Imagem: Reprodução

+ 1 vez, a gastronomia alagoana respira.

 

Tags:,

>Link  

Da Gazeta, aqui, na GazetaWeb
   Felipe  Camelo  │     26 de outubro de 2018   │     17:00  │  0

Atendendo a inúmeros pedidos, em todos os fins de semana, resumão, repercutindo as fotos e legendas da coluna, publicadas durante a semana na Gazeta de Alagoas.

Mix de locomotiva, promoter, cerimonialista… Mamá Omena ainda recebendo elogios pelo lançamento do livro de Alex Barbosa. E hoje, assina também o lançamento do livro de Juarez Orestes Gomes de Barros. Vale acesso matéria postada no felipecamelo.blogsdagazetaweb.com Foto: FC

6ª feira, Zeca Camargo lançou em Maceió, seu + recente livro, ‘Índia – Sabores e Sensações’. Com amigos aqui, ganhou jantar assinado por várias feras das cozinhas. Salve! Salve! Simpatia!!! Foto: FC

Entre os ++ do Brasil, 5 alagoanos, e Cláudia Calheiros no Kaza Top 100, premiando “os + atuantes na arquitetura e design de interiores”. O prêmio? Viagem ao México, de onde acaba de chegar. Tim! Tim! Foto: FC

Sucessaço, Centro Cultural Arte Pajuçara lotado nos últimos dias 4 e 5, quando Júnior Almeida lançou “NU”. Sua talentosa produtora Irina costa, agendando show pra breve. É aguardar pra aplaudir. Foto: FC

Perfeitas anfitriãs do lançamento que movimentou Maceió na noite da última 3ª, Gina & Yeda Gomes de Barros, chiquérrimas. Umas 300 fotos no felipecamelo.blogsdagazetaweb.com Foto: FC

Entre os ilustrérrimos amigos na fila de autógrafos, Jorge Toledo na cena com o autor de “Anjo-lua-cheia-de-inverno-de-Veneza: fragmentos”, Juarez Orestes Gomes de Barros. Foto: FC

Em clima de eterna lua de mel, Ana Rosa & Daniel Quintella Brandão entre os que prestigiaram o recente lançamento do livro que eterniza 50 anos de poesia aqui já citado. Foto: FC

Advogado dos + brilhantes, e procurador-Geral da Assembleia Legislativa de Alagoas, Diógenes Tenório de Albuquerque Júnior já com o livro de Juarez Orestes devidamente autografado. Foto: FC

Tags:

>Link  

Vencedora, nos Gramados e na Vida
   Felipe  Camelo  │     25 de outubro de 2018   │     17:06  │  0

Como é de conhecimento geral, o futebol é o esporte + popular do Brasil. Claro, o masculino, se a gente for falar do feminino… é outra história…

Futebol e mulher nunca pareceram se encaixar na mesma frase no nosso dialeto, a não ser que esteja no contexto de 1 comercial de cerveja. E isso fica bem claro se voltarmos 1 pouco ao passado e analisarmos a trajetória do esporte em cenário nacional.

Foto: Reprodução

As 1ªs bolas de futebol foram trazidas diretamente da Inglaterra pelo paulista Charles Miller em 1895. Não demorou muito pra que os brasileiros se engraçassem com a dinâmica futebolística e formassem seus próprios times e ligas. Como grande parte das 1ªs equipes foram criadas por estrangeiros, a maioria delas era formada por aristocratas caucasianos.

Foto: Reprodução

Os negros demoraram pra conquistar o direito de bater 1 bolinha, mas a luta nem se compara com a das mulheres. Afinal, o lugar delas era na arquibancada, torcendo pr’os maridos. Tocar numa bola era considerado deselegante, antiquado, e por isso, a força feminina no mundo da bola começou mesmo na periferia, que na verdade pouco se importava com as convenções de 1 esporte recém-chegado. Claro, isso não ajudou a aumentar a popularidade da vertente diante da alta sociedade.

Pr’os praticantes e torcedores da época, as mulheres que jogavam eram “fedorentas”, “sem classe”, ente outros adjetivos pouco favoráveis. Obviamente isso não impedia que houvessem partidas mistas já em meados de 1908, ainda que estas não fossem muito usuais, nem muito bem quistas.

Pra se ter 1 ideia da segregação, por muitos anos o 1º registro de 1 partida oficial feminina aconteceu num evento beneficente em 1913. Isso até descobrirem que, na verdade, algumas  das “jogadoras” eram jogadores do Sport Club Americano devidamente travestidos, misturados a algumas senhoritas.

A gafe só foi corrigida em 1921, em partida entre mulheres dos bairros Tremembé e Cantareira na zona norte de São Paulo. Esta chegou até a ser noticiada pelo jornal A Gazeta, já que se tratavam de madames da alta sociedade. De toda forma a farra não demorou muito já que em 1941, em pleno “Estado Novo”, o então ditador Getúlio Vargas proibiu toda a “prática de esportes incompatíveis com a natureza feminina”, incluindo, claro, o futebol.

O 1º time de futebol feminino brasileiro da história, o Araguari Atlético Clube. Foto: Reprodução

O decreto só seria revogado em 1979. Este meio tempo impediu que o futebol feminino se difundisse de forma apropriada no Brasil e os efeitos são sentidos até hoje. Poucos investimentos, pouca visibilidade e muito preconceito. Mas a repressão também deu voz à revolução, já que em 1958, à margem da lei, foi fundado o 1º clube feminino brasileiro, o Araguari Atlético Clube. Não havia 1 liga pra disputar, nem adversários claros, mas as garotas se tornaram atração país afora, encerrando as atividades apenas 1 ano depois por pressão de grupos religiosos (!!!).

Ainda assim, este espírito de subversão, de ir além, de quebrar paradigmas, permanece na categoria feminina. E a repressão também.

Aqui em Alagoas nós temos o maior exemplo. E bota exemplo nisso!!!

Claro que estamos falando da jogadora Marta, que saiu da cidadezinha de Dois Riachos ainda adolescente pra ganhar o mundo com 1 bola no pé. Jogadora pra lá de reverenciada, com passagens por grandes clubes brasileiros, suecos e estadunidenses, onde colecionou vitória em todos. Vencedora de 2 Jogos Pan-Americanos pela seleção brasileira, onde inclusive se tornou a maior artilheira de todos os tempos, contando a modalidade feminina e masculina, com 117 gols.

Considerada por muitos a maior jogadora do futebol feminino de todos os tempos!!!

Foto: Lucas Figueiredo/CBF – Reprodução

Esta é Marta, que recentemente, com 32 anos, bateu recorde ganhando sua 6ª Bola de Ouro, certificado de melhor jogadora do mundo. 1 feito inédito no esporte. Por estas e outras, a alagoana foi homenageada pela CBF no começo desta semana. Ao chegar na Casa do Futebol Brasileiro foi recepcionada por centenas de crianças que estavam lá apenas pra conhecer a ídola de perto. Na decoração, os 6 troféus conquistados e cedidos pela própria pra ficarem na sede da Confederação Brasileira de Futebol até o fim de 2018.

Apenas + 1 conquista pra 1 mulher cheia de vitórias? Não é bem assim.

Foto: Reprodução

Marta foi criada no interior de Alagoas, onde desde pequena tomou gosto por 1 esporte dominado não só majoritariamente por homens, mas também por muito (MUITO) machismo, como a gente já viu. Poucas meninas são incentivadas a largar as bonecas e as panelinhas, então o jeito era jogar com os meninos, que por vezes não admitiam que ela jogasse melhor que eles. Ela não era aceita, pelo contrário, era humilhada, e diziam até pra ela parar de jogar.

A discriminação numa cidade pequena pode ser tóxica e desanimadora. Por sorte, seu talento foi reconhecido cedo. Das divisões de base do CSA, Marta partiu ainda adolescente pra atuar no time profissional do Santa Cruz e logo depois no Vasco da Gama. Claro que no Brasil isso não quer dizer muito, já que os salários da divisão feminina nem se comparam com os da masculina.

Foto: Reprodução

Foi a Seleção Brasileira que abriu as portas pra jogadora. Com apenas 17 anos, Marta começou a chamar a atenção de times estrangeiros, e em 2004 “fugiu” pra Suécia, onde jogou no Umeå IK até 2009, quando foi pro Los Angeles Sol, dos Estados Unidos – ambos em países onde o futebol feminino é realmente valorizado e difundido.

A Rainha Marta, como é conhecida, ainda voltou a jogar em solo brasileiro pelo Santos, mas nitidamente prefere atuar em clubes internacionais, tanto que, entre indas e vindas na ponte aérea “Suécia – Estados Unidos”, hoje mantem residência fixa na Flórida, onde atua pelo Orlando Pride.

E, se querem saber, ela não está errada. Vivemos num país em crise política, social e econômica, num período de incertezas, onde direitos básicos ameaçam serem retirados do cidadão comum ao passo em que a intolerância cresce. Coloque nesta equação também, os direitos femininos – o Brasil é o 5º país que + mata mulheres no mundo!!! Não, feminicídio não é “coitadismo”, mas este pensamento se reflete em diversos âmbitos de nossa sociedade: na educação, na política, no esporte…

Por isso, não podemos subestimar 1 conquista tão expressiva quanto a de Marta, porque por maior que sejam as dificuldades, ela venceu. O resultado disso foi 1 maior abertura pr’o futebol feminino nacional, mesmo que ainda seja muito pouca, e a influência e representatividade pra milhões de meninas que sonham com dias melhores.

+ 1x, esta é Marta, 1 mulher que se sobressaiu num mundo de homens.

Marta sendo nomeada embaixadora da Onu Mulheres por ser “1 modelo poderoso de determinação e coragem”. Foto: Reprodução

Tags:, ,

>Link