Sonora e Imaginária
   Felipe  Camelo  │     27 de setembro de 2018   │     17:31  │  0

O mundo da música é lindo e cheio de surpresas pra quem se atreve a entrar nele, mas também pode se mostrar bastante traiçoeiro e cheio de obstáculos na mesma medida.

Isso não deveria ser nem surpresa. Quantos artistas não vemos aparecendo às pencas na mídia e sumindo de forma igualmente meteórica? Chegar no topo é 1 tarefa árdua mas cair de lá de cima não leva 2 segundos. Por isso é muito fácil encontrar exemplos de artistas que fazem de tudo pra não perder a soberania e pra isso chegam até a desistir de suas identidades, fazendo o que não acreditam só pra agradar determinado público.

Claro, citar qualquer 1 aqui seria no mínimo deselegante, além do que, cada 1 que cuide da sua carreira como quiser, não é mesmo? Mas o que podemos fazer é dar exemplos de artistas que nunca se livraram de suas convicções e lutaram através de seus meios pra mantê-las intactas. 1 delas é a gaúcha/carioca/alagoana Cris Braun.

Fotos: Reprodução

Nascida em Estrela, no Rio Grande do Sul, Cris se mudou ainda na infância pra Maceió. Foi aqui no “Paraíso das Águas” que ela aprendeu a tocar violão, o que ainda a incentivou a começar a cantar, além de estudar percussão, teclados e composição. Nos anos 80 se mudou pro Rio de Janeiro, onde viveria pelos próximos 25 anos e também onde começou oficialmente sua trajetória na música.

Sua 1ª empreitada foi como vocalista da banda de rock Sex Beatles (as influências são óbvias, né?), período em que lançou os discos “Automobília”, em 1994, e “Mondo Passionale”, no ano seguinte. À título de curiosidade, ambos tiveram a bênção e ilustre produção de Dado Villa Lobos e Tom Capone.

Não muito depois, em 1997, lançou seu 1º álbum solo, sendo a 1ª artista a assinar com o selo Fullgás, de Marina Lima. “Cuidado com pessoas como eu”, como foi batizado, se tornou 1 sucesso de crítica e público na sua época, com músicas figurando em novelas e rádios de todo Brasil.

O sucesso garantiu a Cris o espaço e a oportunidade de ser convidada a participar de shows de artistas do 1º escalão, como Rita Lee e a banda Kid Abelha, pra quem ainda compôs a música “Como é que eu vou embora”, em parceria com George Israel e Paula Toller.

Claro que toda a badalação não subiu a cabeça de Cris Braun. A musicista sempre se permaneceu fiel a toda originalidade e autenticidade que a tornou conhecida, mas a gente sabe que não é assim que funciona na indústria. É preciso se adaptar, “dançar conforme a música”, às vezes se entregar ao meio de produção. Onde fica o quê autoral inerente a qualquer Artista com “A” maiúsculo que se preze?

Por isso, apesar de não viver dando as caras na televisão ou em revistas de fofocas, Cris Braun continuou fortíssima no meio musical. Claro, no underground, que é onde ela tem total liberdade pra expor suas ideias e, se nos permite dizer, onde ela pertence de fato.

Dinho Zampier e Cris Braun

Com a virada do milênio, a cantora voltou pra Alagoas e por aqui ficou. Nestas terras caetés lançou + 2 álbuns de estúdio: “Atemporal”, em 2004, e “Fábula”, em 2012. Foi durante as gravações deste último que conheceu o tecladista e produtor Dinho Zampier, que já havia trabalhado com músicos de alto gabarito como Wado e Vitor Pirralho. A nova parceria deve ter dado certo logo de cara, vide o que viria em seguida.

Isso porque em 2015 Cris convidou Dinho pra gravar seu 4º disco solo. Este que lançou no ano passado e que hoje conhecemos como “Filme”.

O título é bem sugestivo e sintetiza o que esperar da obra. Trata-se de 1 trilha sonora imaginária pr’um filme que não existe. As músicas são conduzidas por 1 narrativa sonora, subjetiva, mas bem coesa. Enquanto isso, a história é contada através do clima proporcionado pelas vinhetas e temas musicais, dando espaço pra que o ouvinte a imagine como bem entender. E isso tudo em 11 faixas embaladas pelos + variados gêneros, passando pelas psicodelias setentistas, o jazz, o pop futurista, o folk e os tradicionais ritmos nordestinos.

O disco foi produzido pelos próprios autores e está disponível nas melhores plataformas digitais, então não tem desculpa pra não ouvir!!!

E pelo visto esta nova empreitada tem feito sucesso, já que Cris Braun e Dinho Zampier estão neste exato momento se preparando pra entrar no palco do Clube Manouche às 9 da noite, lá no Rio de Janeiro, a 2ª casa de Cris.

E não vai ser 1 apresentação qualquer.

Em 1º momento, exibição de clipes e peças audiovisuais delicadas e delirantes dirigidas por Henrique Oliveira, que enredam este filme imaginário do disco. Logo após, claro, o show ao vivo com esta dupla dinâmica. Sem esquecer a ilustre participação do guitarrista Billy Brandão, que entre tantos trabalhos já tocou com feras como Frejat e Erasmo Carlos.

Por esta vez, vamos ficar chupando o dedo, mas é claro que Cris Braun não deixaria os alagoanos na mão. 2º a própria, teremos a oportunidade de ver “FIlme” ao vivo e à cores no dia 13 de dezembro em local a ser definido. Mas podemos adiantar que a PAJUÇARA vai ser pequena pra tanta inventividade e música de bom gosto.

Não poderíamos esperar menos desta gaúcha de berço, carioca de coração e alagoana por natureza. Porque Cris Braun é assim, de todo lugar e de nenhum, e sua música também.

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