“da Margem para Dentro”
   Felipe  Camelo  │     14 de setembro de 2018   │     14:45  │  0

Que o grafite é alvo de muitos confrontos, principalmente partindo de políticas + conservadoras, todo mundo já sabe.

Isso porque muitas vezes esta arte urbana é confundida com pichação, se tornando cada vez + marginalizada. E não é pra menos! Ambas tem como objetivo passar suas mensagens na paisagem das cidades, onde as pessoas poderão ver, queiram elas ou não. E, acima de tudo, ambas tem a mesma gênese, nasceram sim da margem, da periferia.

Foto: Reprodução

A diferença entre as 2 é que, enquanto a pichação se limita a rabiscos de protesto, mensagens “cuspidas e escarradas” (que não deixam de ser relevantes socialmente), o grafite se traduz em apuro estético, técnica e bastante criatividade. A comparação é justa, mas se tratando do próprio grafite, não seria errado igualá-lo a outros formatos de arte reverenciados e consagrados, a exemplo da pintura sobre tela ou da escultura.

Na verdade, em alguns dos maiores centros urbanos do mundo, como Nova York e Los Angeles, a grafitagem é apoiada pelos próprios governos, que reconhecem a prática como 1 forma de agregar beleza e fomentar o turismo local. Claro, não em todas as partes da cidade, mas você entendeu!

Grafite “Os Bravos do 11 de Setembro”, de Eduardo Kobra. Foto: Reprodução

Tem até grafiteiro ficando reconhecido por seus desenhos em muros do mundo inteiro. 1 deles é o brasileiro Eduardo Kobra que, entre tantos outros feitos, acabou de inaugurar, em Midtown East, Nova York, 1 enorme grafite pra homenagear aqueles que arriscaram suas vidas pra salvar outras pessoas no trágico 11 de setembro de 2001. O dia do atentado às Torres Gêmeas que deixou 3 mil mortos e incontáveis feridos.

Pra conseguir a autorização pra algo tão grandioso, o artista tem que ter muita moral!

E isso só demonstra como o grafite ganhou sua relevância. Mesmo com tantos ataques ele persiste. E olhe que não são poucos. Quem não lembra da polêmica do ano passado em São Paulo, em que vários desenhos icônicos foram apagados dos muros da Avenida 23 de Maio, numa tentativa de “recuperar a rua”?

Foto: Reprodução

É algo a se pensar. O grafite deve permanecer nas ruas, que é o seu lugar. Onde pode ser visto, apreciado e sentido da forma + democrática possível. Ele é a voz da periferia!!!

Mas se queremos legitimar essa vertente e colocá-la no patamar das outras tão reconhecidas historicamente, então “a César o que é de César”. É por isso que muitas galerias de arte já levaram a arte urbana pr’os seus salões, inclusive aqui em Maceió.

Estreou ontem, dia 13, na Galeria Cesmac de Arte Fernando Lopes a exposição coletiva “Arte Urbana – Da Margem para Dentro”. Com curadoria da professora Carol Gusmão, reúne 7 artistas nacionais e alagoanos pra discutir “o grafite como marca estética, política e simbólica de expressão cultural e também de crítica popular à ordem imposta pela sociedade”.

Imagem: Reprodução

O próprio título da exposição já explicita o mote de trazer a “margem”, ou o “marginalizado”, pra “dentro”. Dentro da galeria, dentro do conceito de expressão artística… Tudo isso sendo exposto através dos traços de artistas urbanos que você com certeza já deve ter visto na esquina + próxima: Daniel Baboo, Levy Paz, Mun Ganga, Rafael Santos, Suel, Tars, Wado, Yara Barbosa (a Pão) e o grupo Cidade e Signos.

Infelizmente não pude comparecer à abertura, que contou ainda com ‘pocket show’ do artista expositor e músico já bastante conhecido Wado, mas me confesso ansioso pra conferir o resultado de todo o trabalho. De qualquer forma, não poderia deixar meus leitores de mãos abanando, por isso trago aqui as fotos do movimento, tiradas e cedidas gentilmente por Sílvia Falcão e Matheus Alves.

 

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