Quando “Gostar” começa com Respeito
   Felipe  Camelo  │     20 de agosto de 2018   │     17:17  │  0

1 discussão que está em alta nas últimas semanas é a violência contra a mulher.

Há quem diga que isso não existe, que o que existe na verdade é a “violência contra o ser humano”. Claro, as pessoas por natureza são violentas, mas em face a dados não existem argumentos, e se formos observá-los com cuidado, eles não são muito favoráveis pr’o sexo feminino.

Por exemplo, aqui no Brasil, cerca de 900 mil casos de violência doméstica estão sendo processados em tribunais neste exato momento, de acordo com o Conselho Nacional de Justiça. Não por acaso, na maioria deles, os homens são os algozes, e dentre estes, 10 mil envolvem feminicídio, o ato de assassinar 1 indivíduo apenas por ele ser… mulher.

Foto: Paulo Pinto – Reprodução

E se você ainda não se convenceu, saiba que não para por aí.

500 mil mulheres são vítimas de estupro por ano, 2º a Secretaria de Governo Federal. Isso pelo que se sabe, já que apenas aproximadamente 10% delas chegam a fazer denúncia junto às autoridades, muitas vezes por medo. Medo do julgamento alheio, medo de se sentirem culpadas pelo que aconteceu, medo de sofrerem ainda + do que já sofreram…

15 mulheres são mortas por dia no Brasil, e na maior parte dos casos não são vítimas de 1 bala perdida, ou por resistirem a 1 assalto. Seus assassinos são seus parceiros, seus parentes, colegas de trabalho…

Imagem: Reprodução

A razão disso? A resposta é simples. Não há razão.

Foto: Reprodução

O que há é 1 preconceito histórico, + do que isso, 1 noção equivocada e ancestral de que os homens são superiores às mulheres, e de que elas devem ser submissas e atenderem aos caprichos do sexo superior, mesmo que isso signifique sua iminente degradação.

Desde a parábola bíblica do Jardim do Éden, que coloca Eva como culpada de todo o pecado do mundo ao convencer Adão a comer do Fruto Proíbido, até os dias de hoje, quando as mulheres são forçadas a cobrirem praticamente o corpo inteiro pra serem consideradas “puras” perante a sociedade do Oriente Médio.

A injustiça existe, mesmo que inconsciente, e nós a perpetuamos diariamente, mesmo que nem percebamos.

Maria da Penha, a mulher que inspirou a lei. Foto: Reprodução

Pra corrigir tal arbitrariedade histórica (ou ao menos tentar) foi criada em terras tupiniquins em 2006 a Lei Maria da Penha, que neste agosto completa 12 anos de existência. É o decreto que possibilita que agressores de mulheres em âmbito doméstico ou familiar sejam presos em flagrante ou tenham sua prisão preventiva decretada. Ele ainda aumentou o tempo de prisão dos criminosos de 1 pra 3 anos, além de prever medidas que vão desde a remoção do agressor do domicílio, à proibição de sua aproximação da vítima.

Até hoje, legislação considerada pela Onu 1 das melhores do mundo no enfrentamento à violência contra as mulheres.

 

Pra comemorar este marco na luta pelos direitos femininos no Brasil, no ano passado foi criada a campanha Agosto Lilás, que, claro, continua em vigor este ano, feita exclusivamente pr’a gente botar a mão na consciência e refletir sobre este crime tão retrógrado quanto desumano. Afinal, em tempos em que biólogos jogam esposas do 4º andar e estudantes precisam reagir sozinhas após serem assediadas em transportes públicos, a causa nunca esteve + atual.

Imagem: Reprodução

Você pode não ser mulher, ou nunca ter sofrido nenhum tipo de agressão física, psicológica, ou até verbal, mas você não precisa ter passado na pele pra se compadecer pela causa. Isso se chama “compaixão”, isso se chama “ser humano”. Auxilie, denuncie, “meta a colher”. Se alguns vizinhos socorressem, se alguns passageiros fizessem + do que filmar, muitas tragédias poderiam ter sido evitadas.

E podem!!!

Ajude a acabar com essa absurda cultura machista que supõe que a violência à mulher é 1 crime menor que outros. Antes de tudo, o nº de contato é 180.

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