Cultura, Contemporânea e Atemporal
   Felipe  Camelo  │     28 de maio de 2018   │     16:21  │  0

Mário de Andrade foi 1 grande artista brasileiro.

Além de poeta, escritor, crítico literário, musicólogo, folclorista e ensaísta, ainda foi 1 grande estudioso, pioneiro no campo da etnomusicologia, e esteve por trás da lendária Semana de Arte Moderna que movimentou São Paulo em 1922, revolucionando a literatura e as artes visuais em berço tupiniquim. Entre outros feitos marcantes, foi o autor de ‘Macunaíma’, 1 dos maiores clássicos entre os romances nacionais. Feito que só pode ser comparável, em sua frutífera carreira, com a criação do anteprojeto de criação do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em 1937, à convite de Gustavo Capanema, então Ministro da Educação e Saúde.

A idealização da instituição impressiona até hoje por sua contemporaneidade e visão além de seu tempo. Mário faleceu em 1945, mas sua obra continuou viva, influenciando várias gerações de artistas nos anos que se seguiram, se tornando parte fundamental da consolidação identitária brasileira. O que definitivamente não morreu foi sua criação extra-arte, o SPHAN, que hoje, depois de tantas águas roladas, chama-se Iphan, ou Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

O artista multifacetado Mário de Andrade. Foto: Reprodução

Quem é bom em matemática pode concluir por conta própria que o Iphan completou 80 aninhos no ano passado. Pra não deixar a data passar em branco foi criado prêmio especial, que desde outubro vem sendo concedido “a diversas personalidades e instituições brasileiras, como agradecimento e reconhecimento oferecido a esses parceiros, por seu notório apoio na promoção e proteção dos bens culturais no Brasil, de modo a garantir sua permanência e usufruto para as gerações atuais e futuras”.

O nome desta honra? Não poderia ser outro senão ‘Medalha Mário de Andrade’.

 

E é claro que com sua imensa contribuição cultural, contínua e irredutível, Alagoas não ficaria de fora do mapa de homenagens. Por isso, às 8 horas da noite de hoje, no Auditório da Associação Comercial de Maceió, ilustres alagoanos homenageados com a honraria. São eles: Cármen Lúcia Dantas (museóloga); Celso Brandão (fotógrafo e cineasta); Francisco Alberto Salles (fundador da Casa de Penedo); Tânia de Maya Pedrosa (artista plástica e colecionadora); Sávio de Almeida (pesquisador); e Josymare Ferrare (professora e pesquisadora).

Imagem: Reprodução

Além disso, serão lançados na celebração, os livros: ‘A Sociologia de um gênero: O baião’, de Elder Maia Alvez, que traça o “processo sócio-histórico de formação dos mercados culturais no Brasil, com ênfase na formação do gênero Baião”, atualmente sendo registrado pelo Iphan como  Patrimônio Cultural do Brasil; e ‘Resistência e Ressurgência indígena no Alto Sertão alagoano’, de Siloé Soares de Amorim, como resultado de sua tese de doutorado, sendo publicação pioneira “na descrição do ressurgimento e afirmação étnica desses povos”.

Como sempre reafirmamos aqui no blog, é de extrema importância a valorização de nossa cultura local. Portanto, + 1 boa oportunidade de prestigiar a conquista tão merecida de expoentes da arte alagoana.

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