Dinheiro: entre o Moral e o Imoral
   Felipe  Camelo  │     16 de maio de 2018   │     16:56  │  0

Desde  que a sociedade, como conhecemos, tomou forma e se estruturou, o capitalismo, como 1 embrião em constante formação, foi concebido no meio do mundo.

Esta linda criança, cria bastarda do homem, logo se mostrou bastante precoce, e não demorou muito pra tomar as rédeas da casa. Hoje, bastante crescida e independente, se estirou no sofá da sala de estar com os pés sujos, e não tem quem a tire de lá. Com ela veio a necessidade, a desigualdade, a fome de poder, e também o dilema de se manter íntegro vivendo num mundo onde ganha quem tem +, e quem tem + vive melhor.

Lá pro começo do século XX esta discussão ganhou novos contornos, tanto na literatura quanto no cinema (que à época começava a dar seus 1ºs passos), e de forma ainda + inovadora, no teatro. 1 dos destaques da dramaturgia política foi Bertolt Brecht, dramaturgo, poeta e encenador alemão, autor de peças como “A Alma Boa de Setsuan” e “Galileu Galilei”, que já discutiam ferrenhamente a volubilidade das relações humanas no sistema capitalista.

Brecht fez escola e influenciou muitos artistas Europa adentro, incluindo 1 jovem dramaturgo suíço chamado Fiedrich Dürrenmatt. Ele usava da mesma linguagem épica que Brecht, e costumava propor às suas plateias debates teóricos ácidos e contundentes, geralmente usando o contexto da guerra como discussão filosófica, já que era contemporâneo de Adolf Hitler, e sentiu na pele os efeitos do totalitarismo.

Fotos: Reprodução

1 das peças de maior sucesso de Dürrenmatt foi “A Visita da Velha Senhora”, de 1956, que chega em Maceió no próximo fim de semana, 6ª-feira e sábado, às 8 da noite, e domingo, às 6, no Teatro Gustavo Leite, com direção de Luiz Villaça, estrelando Denise Fraga e Tuca Andrada. O enredo traz a clássica discussão ao estilo Dürrenmatt: Até onde você iria por bens materiais? Até onde a ganância sobrepõe a razão?

Em foque, a história da pequena cidade de Güllen, cujo os cidadãos esperam ansiosos pela chegada de Claire Zachanassian, milionária excêntrica que promete tira-los da falência. A esperança logo vai por água abaixo no jantar de recepção, quando a megera anuncia que apenas doará o valor de 1 bilhão em dinheiro se alguém matar Alfred Krank, o homem por quem ela se apaixonou na juventude. O suficiente pra colocar em cheque a integridade da cidade e desafiar qualquer senso de caráter dos nativos de Güllen.

Com equipe premiada, tanto na cenografia e figurino quanto em direção e atuação, “A Visita da Velha Senhora” é obra recheada de humor ácido e arquétipos reconhecíveis do cotidiano, que reflete sobre nossa solidez moral, e sobretudo humana, frente ao maior regente do mundo contemporâneo: o dinheiro.

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