“Todo Dia era Dia de Índio”
   Felipe  Camelo  │     19 de abril de 2018   │     16:35  │  0

Hoje é 19 de abril. 1 data importante na história. Foi neste mesmo dia, em 1648, que os habitantes de Pernambuco se revoltaram contra a invasão dos holandeses. Os brasileiros saíram vencedores da batalha, claro. Já em 1782, o 2º presidente dos Estados Unidos (na época nem se chamava assim), John Adams, garantiu o reconhecimento do país como república independente da Inglaterra.

Parece que este fatídico dia será eternamente reservado pra revoluções, algumas igualmente intermináveis, já que hoje também é comemorado o Dia do Índio.

Fotos: José Feitosa

A data comemorativa foi proclamada em 1943, pelo então presidente, Getúlio Vargas. No entanto, a história começa em 1940, quando aconteceu o 1º Congresso Indigenista Interamericano, em Patzcuaro, no México, onde seriam discutidos os + diversos assuntos a respeito da qualidade de vida dos índios.

Vários representantes indígenas foram convidados a participar do congresso. Inicialmente, foi unanimidade recusar o convite, já que temiam serem hostilizados e desrespeitados, como era o costume. Após alguns dias os índios resolveram participar também, afinal, assim poderiam opinar no que seria discutido sobre os problemas que só diziam respeito a eles próprios.

Nesta reunião, foi aprovada 1 recomendação proposta por delegados indígenas do Panamá, Chile, Estados Unidos e México. A de que os países americanos deveriam adotar 1 Dia do Índio, pra incentivar o estudo dos nativos pelas diversas instituições de ensino e outorgar normas necessárias à orientação de políticas indigenistas. Neste acordo, ficou certo de que a celebração se daria em 19 de abril, pois foi o dia em que os representantes indígenas se reuniram pela 1ª X em assembleia.

75 anos se passaram e ainda comemoramos o Dia do Índio. Mas será que fazemos da maneira correta? Pra muitos índios e descendentes é só + 1 dia, que na verdade não lembra em nada comemoração, só lembra a dor e o sofrimento destes povos, que até hoje lutam contra preconceitos e esteriótipos, e veem a maioria dos direitos pelos quais tanto lutaram pra conquistar no passado, ainda bem longe de serem alcançados.

Hoje as escolas irão pintar as caras das crianças, distribuir cocares e zarabatanas, como sempre fazem. Os programas de televisão certamente irão visitar algumas aldeias, ou conversar com indígenas sobre rituais tradicionais. Não digo que esteja errado, apresentar culturas diferentes é sempre válido, mas essa exploração cultural anual pode virar 1 via de mão dupla. Em vez de conhecimento, podemos estar fomentando esteriótipos. Então, talvez, a melhor maneira de se comemorar o Dia do Índio não seja lembrando dele como alguém com uma pena na cabeça, fazendo sons com a boca em volta de 1 fogueira, mas sim como 1 povo guerreiro, persistente, que passou por todo tipo de injúria ao longo dos séculos e permanece de pé, brigando pelo que é seu por direito, suas terras, sua individualidade, suas vidas…

Enriquecendo a equipe de repórteres fotográficos da Gazeta de Alagoas, José Feitosa, que não resistiu e aceitou ao pedido dos pequenos curumins pra tirar esta foto com ele.

 

 

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