Diversidade + Respeito = Educação
   Felipe  Camelo  │     17 de abril de 2018   │     16:18  │  1

Ontem, falamos aqui no blog sobre intolerância, citando a malfadada entrevista de Carlos Vereza. Discutimos sobre como esta pequena palavra faz 1 falta imensa na nossa sociedade, e desde já agradecemos a repercussão positiva. Infelizmente, e impreterivelmente, teremos que bater nesta mesma tecla hoje.

Vale acesso: Como cidadão, Ótimo ator

Desta vez o buraco é + embaixo, + precisamente aqui em Maceió mesmo.

Ficamos sabendo do drama de 1 garoto transgênero que tem sofrido com a discriminação e indiferença do colégio onde estuda. Nascido com sexo feminino, batizado como Ingrid Beatriz Oliveira Santos, não se identifica com o gênero de nascimento, e desde os 15 anos prefere ser chamado pelo nome que escolheu pra si. Isaac.

Piquenique na Praça Centenário promovido pelo jovem Isaac em parceria com o grupo Mães pela Diversidade. Fotos: Reprodução

Isaac tem todo o apoio de sua mãe, Rosemary, mas o mesmo não pode ser dito do Colégio Estadual Dr. Guedes Nogueira. Embora reuniões já tenham sido feitas pra explicar o assunto, onde ficou certo de que o garoto seria chamado apenas pelo nome social, até hoje alguns professores se recusam a tal. Tudo ficou pior com a omissão da diretoria e a iniciativa de alguns docentes de procurar o Conselho Tutelar (??!?!!) pra que tomasse providência contra o aluno, já que ele estaria “incitando a prática LGBT dentro da escola” (Sic).

Pode parecer besteira, mas a fase da adolescência é 1 período muito volúvel, e só a negação da escola em aceitar Isaac como quem ele realmente é, exerce 1 pressão pra qual ninguém está preparado nesta idade, nos piores casos causando até problemas de saúde, como ansiedade e até depressão.

Tanto é que, em setembro de 2017, o Conselho Nacional de Educação, permitiu que as escolas de educação básica usem o nome social de transsexuais em documentos de identificação, listas de presença e outros documentos oficiais escolares, em vez daquele que está no RG. A lei foi homologada em 17 de janeiro, pra combater o preconceito e o bullying no meio escolar. Quando este preconceito parte justamente dos professores, que deveriam ser seus principais exemplos e influências de desenvolvimento como cidadão, a situação fica no mínimo preocupante.

Inconformada com a intransigência do colégio, a “mamãe coruja” Rosemary não perdeu tempo, fez logo 1 Boletim de Ocorrência por discriminação junto à Polícia Civil, e denunciou o caso no disque 100, apresentando tudo ao Conselho Estadual de Educação, no começo de abril. Além disso, entrou em contato com Tereza Nelma, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Maceió. Desde então, a vereadora tem ajudado como pode, se reunindo com os familiares pra dar continuidade no encaminhamento do caso, tanto da discriminação de Isaac, quanto na adoção definitiva de seu nome social.

Algo parecido aconteceu em Espirito Santo, quando 1 aluno transgênero de 16 anos, após passar a ser tratado de forma diferente pela escola onde estudava e sofrer com várias crises de ansiedade como consequência, conseguiu na Justiça o direito de ser tratado por seu nome social. Claro que depois de tudo isso ele mudou de colégio, mas obteve o direito de ter “Arthur” cadastrado na nova instituição, e ser respeitado pelos professores e d+ profissionais de ensino.

Tudo o que podemos fazer agora é torcer pra que, assim como Arthur, Isaac consiga o que é seu por direito: sua dignidade, sua identidade respeitada, e sexualidade validada por aqueles que não deveriam nem ter a ousadia de questioná-la. Nossos sinceros abraços pra mãezona, guerreira de fibra, Rosemary Bernardo de Oliveira Santos.

Nas palavras da própria Tereza: “É inadmissível que esse tipo de posicionamento parta de uma instituição de ensino que deveria auxiliar na formação de cidadãos respeitosos e no combate ao preconceito. Como esperar dos demais alunos um posicionamento diferente, quando os próprios professores dão mal exemplo? Isso deve ser investigado e os envolvidos punidos. Isaac é um menino lindo e educado, que só quer que a sociedade o veja e o reconheça como ele se vê”.

Os jovens presentes no encontro prometeram continuar estas reuniões pelo menos 1 X a cada 2 meses.

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COMENTÁRIOS
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  1. May

    Que bom que ainda há quem se comova e se mobilize com as injustiças. Mesmo aquelas que não as envolve diretamente. Parabéns por abordar temas tão necessários na sua coluna. Isso é sociedade, isso é vida real. <3

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