Como cidadão, Ótimo ator
   Felipe  Camelo  │     16 de abril de 2018   │     17:22  │  0

Parece que, se há 1 mal que sempre vai atormentar a raça humana, o nome dele é “intolerância”.

No dicionário informal, a palavra é descrita como “uma atitude mental caracterizada pela falta de habilidade ou vontade em reconhecer e respeitar diferenças em crenças e opiniões. Ou seja, as pessoas não respeitam as diferenças ou as opiniões dos outros.” É essa danada que impede a maioria de nós de aceitar o próximo do jeito que ele é, tentar entender o lado de quem é diferente da gente, enfim, é o que impossibilita o progresso da sociedade como 1 todo.

Falo isso porque, em tempos de globalização e redes sociais em pleno vapor, as pessoas ganharam o poder de se expressar de 1 maneira outrora inimaginável.

Grupos minoritários, como os negros, feministas e os da causa LGBT, finalmente podem levantar voz e ter sua necessária e merecida visibilidade. Ao mesmo tempo, parece que essa crescente acabou despertando com igual força, ou talvez até maior, 1 movimento contrário extremamente conservador. Nunca se viu, desde os primórdios da internet, tanto ódio gratuito destilado contra minorias como podemos presenciar hoje em dia.

Olhando de cima, o que dá a entender, é que aqueles que não se incluem nestes círculos tem 1 medo velado de perder o posto de supremacia com a vigência dessas novas visões de mundo, ou que apenas se sustentam num tradicionalismo burro que, voltando a dizer, só impossibilita o progresso.

Isso tudo pra falar sobre o assunto da vez na web, a polêmica entrevista de Carlos Vereza p’rum jornal cearense.

Na imagem, o ator Carlos Vereza. Foto: Estevam Avelar / TV Globo – Reprodução

Pra quem não sabe, Carlos Vereza é 1 dos + antigos e respeitados atores da Rede Globo. Entre tantos outros papéis, destaque pra sua internacionalmente premiada interpretação de Graciliano Ramos no filme ‘Memórias do Cárcere’. Vereza foi preso 2 Xs durante a ditadura e inclusive chegou a escrever a peça ‘Transaminases’, sobre a experiência. Nesta mesma época, foi militante contra más condições e falta de regulamentações no trabalho de sua classe artística.

Observando seu histórico, as declarações parecem ainda + surreais. Entre outras coisas, Vereza fala na entrevista (não tão difícil de achar na internet) que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra é um “grupo terrorista”, que a vereadora Marielle Franco, assassinada no Rio de Janeiro, é um “cadáver fabricado” pela “ideologia radical sectária de esquerda”, e pra completar a cereja do bolo, ainda critica a ideologia de gênero, que pra ele não passa de 1 plano sofisticado pra “traumatizar crianças”, afirmando que “as pessoas têm suas opções sexuais respeitáveis, daí a você dizer que nasceu homem porque isso é uma construção cultural, isso é de um ridículo”.

Na imagem, a vereadora Marielle Franco. Foto: Reprodução

No fim das contas, parece que o ator está + preocupado em atacar a esquerda, e tudo que ele julga de sua alcunha, do que realmente defender algum argumento. E o pior é que pra cada pessoa que acha que ele enlouqueceu de vez, aparecem + 10 que o enaltecem por “falar a verdade na cara mesmo”.

Isto me faz lembrar de 1 frase da qual não me lembro o autor, que diz que “todo vilão é um herói de sua própria história”. Regra básica pra todo dramaturgo na hora de escrever 1 personagem vilanesco: o verdadeiro inimigo tem plena convicção de que é o mocinho, por ignorância, medo da verdade, insegurança… Isso também vale pra vida real. E não irá mudar enquanto houverem pessoas que os tratem como heróis. Sejam eles políticos, escritores, jornalistas… atores.

Voltando a questão da intolerância, talvez até ela possa ser relativizada. Talvez o que a gente não devia tolerar mesmo é a própria intolerância. Pela enorme repercussão, ele deveria se limitar aos textos de seus personagens, que, pelo visto, como pessoa física, era melhor ficar calado!!!

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