Quando a Dança não têm Limites
   Felipe  Camelo  │     12 de março de 2018   │     16:42  │  1

A dança é 1 arte no mínimo curiosa.

Algumas pessoas já nascem dançando, outras não têm aptidão nenhuma, por + que tentem, e existem aquelas que enxergam neste ato rítmico corporal 1 forma de expressão cultural, política e social.

É o caso de Deborah Colker, dançarina e coreógrafa carioca internacionalmente reconhecida, que desembarca na capital alagoana nesta próxima 4ª, dia 14, agraciando o público, às 9 da noite, com seu + novo espetáculo ‘Cão Sem Plumas’.

Desde 1994 na estrada, a Companhia de Dança Deborah Colker já viajou o mundo se apresentando nos palcos importantíssimos, incluindo John F. Kennedy em Washington e o New York City Center. No repertório, shows com temáticas variadas e adaptações de obras literárias.

Na imagem, a dançarina e coreógrafa, Deborah Colker. Foto: Cafi – Reprodução

Em ‘Cão Sem Plumas’ não poderia ser diferente.

Baseado em poema de João Cabral de Melo Neto, evidencia a pobreza da população ribeirinha de Recife, acompanhando a corrente do Rio Capibaribe que corta boa parte de Pernambuco. É o 1º tema tipicamente brasileiro abordado por Deborah, apesar de considerar que outros de seus espetáculos já possuíam 1 marca tupiniquim bem forte.

“Acabei aceitando essa ideia. Por eu ser brasileira, a cia ser brasileira e sediada no RJ, sempre achei mesmo adaptando um poeta russo, por exemplo, que o espetáculo era brasileiro, mas por CSP ter um autor brasileiro, isso potencializou de uma tal maneira, que a imprensa e o público identificam esse espetáculo como Brasil. Por exemplo, acredito que o OVO, que dirigi e criei para Cirque de Soleil é Brasil. E João Cabral é para mim, universal e atemporal”, disse a coreógrafa em entrevista exclusiva ao blog.

OVO, espetáculo junto ao Cique du Soleil. Foto: Reprodução

‘OVO’ foi o 1º espetáculo do Cirque du Soleil dirigido por 1 brasileiro e representou ponto de virada pra Deborah, onde teve a oportunidade de se aventurar contando 1 história com personagens. Esta experiência influenciou a companhia de diversas maneiras.

“Depois do OVO já criei e dirigi dois espetáculos para a Cia, em 2011 ‘Tatyana’, em que adaptei um romance russo do A. Pushkin, sobre a revelação do amor, e em 2014 adaptei o livro de Joseph Kessel, ‘A Bela da Tarde’. ‘Belle’ é sobre a razão e o instinto”, disse Deborah sobre seus trabalhos anteriores completando com o processo criativo de ‘Cão Sem Plumas’, “lemos e relemos o poema, experimentamos cada palavra no corpo, construindo movimentos que falavam do significado do poema”.

Tatyana. Foto: Reprodução

Ela escolheu adaptar o poema de Cabral de Melo Neto quando o releu depois de muitos anos, no processo de finalização de sua última peça ‘Belle’. A coreógrafa conta que o conhecia desde os anos 80, mas foi dando 1 nova olhada que percebeu que aquela era justamente a mensagem que precisava passar no momento. Ainda assim, o percurso não foi fácil, e traduzir 1 obra literária pra dança de forma coesa, narrativa e esteticamente, pode se mostrar 1 grande desafio.

“Esse processo aconteceu durante 3 anos e meio, em que todos os convocados para viajar nessa expedição criativa capitaneados pelo timoneiro João Cabral, estiveram juntos construindo cada palavra”, disse, “Jorge du Peixe, Lirinha, Claudio Assis, Gringo, Berna, Claudia Kopke, João Elias, Jorginho de Carvalho, para citar alguns nomes de uma equipe que discutiu e mergulhou nessa lama durante todo esse tempo”.

Cão Sem Plumas. Foto: Reprodução

‘Cão Sem Plumas’ conta também com documentário dirigido por Cláudio Assis que é projetado no fundo do palco dialogando com o movimento dos dançarinos. O cineasta pernambucano, responsável por longas como ‘Amarelo Manga’ e ‘Big Jato’, filmou 24 dias de viagem da companhia pelo sertão de Pernambuco.

“Cláudio é meu amigo há muito tempo e um cineasta que traduz com intensidade, provocação os valores que respiramos em nosso Brasil”, disse Deborah, “Transita entre o belo e o feio, entre a essência e a verdade. Nossa Cia viveu uma residência incrível e uma experiencia que nunca tivemos antes. Ficamos 3 semanas em Pernambuco, filmando todo o processo, passamos por várias cidades ribeirinhas nas quais fizemos oficinas e saraus, que culminou em uma apresentação no Recife no aniversário do rio Capibaribe. Tivemos contato com o rio seco, com o rio crescendo, com o mangue, com o rio encontrando o mar. O rio que vem carregando as histórias, as tragédias e belezas”.

Depois da estreia internacional, em junho do ano passado, no Teatro Guararapes, em Recife, ‘Cão Sem Plumas’ finalmente chega em Maceió. Envolto em expectativas, o espetáculo  faz 1 mescla da cultura pernambucana, com influências do mangue beat, maracatu e coco, retratando na coreografia o bicho-homem da poesia de João Cabral de Melo Neto com alusões ao caranguejo e a lama tão presentes nos mangues e no cerne de todo ser-humano.

Vale acesso: Belle, Além da Dança

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COMENTÁRIOS
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  1. Alcione

    Ela fez sucesso pq Deus da sabedoria aos bons de coracao..q nao vê limites no preto nem no deficiente
    Grata
    Anielle..com sindrome de down

    Reply

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