Cinema, + que Diversão
   Felipe  Camelo  │     2 de março de 2018   │     16:42  │  0

O cinema é de suma importância pra cultura contemporânea.

Já não dá pra dizer com certeza absoluta se ele + influencia do que é influenciado pela sociedade. O certo é que estamos progredindo, à passos não muito largos, mas consideráveis. Principalmente quando se trata de questões fundamentais pra convivência humana. Humildade, respeito, civilidade, tolerância…

A arte como 1 todo vem acompanhando essas mudanças, e o Oscar, maior premiação do cinema mundial, não fica de fora dessa equação. Em suas últimas edições, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas têm se esforçado pra premiar filmes com temas sociais importantes e diversificados, numa manobra reforçada por movimentos dos próprios artistas da indústria, à exemplo do #OscarSoWhite e do #TimesUp.

Vale acesso: “Time’s Up”, ou seja, o “Tempo Acabou” e Na tela e na Vida, distinção de cores

Foto: Reprodução – Twitter

A 1ª etapa foi reconhecer que faltava diversidade no próprio comitê de membros votantes.

Dos 6.261 membros, 76% homens e 93% brancos. Este nº tem mudado aos poucos desde 2016, quando o recorde de convidados a ingressar a Academia foi batido. Ao todo, 683 novos votantes, dentre estes, 46% mulheres e 41% de etnias não caucasianas.

Os efeitos puderam ser sentidos logo em 2017.

O drama sobre 1 garoto negro crescendo nos subúrbios de Miami enquanto descobre sua sexualidade e é obrigado a reprimi-la, ‘Moonlight: Sob a Luz do Luar’, ganhou o prêmio máximo de melhor filme, contrariando a maior parte das premiações que antecederam aquela edição.

Moonlight: Sob a Luz do Luar, vencedor de 3 Oscars, incluindo melhor filme

Em 2018, no 90º Academy Awards, esta política de renovação continua com força. Já podemos tirar pelos próprios indicados. São obras dos + variados gêneros (alguns até bem atípicos pr’o Oscar), vão do terror à comédia, em sua maioria exaltando a diversidade e fazendo críticas sociais bastante ácidas.

Têm até brasileiro com grandes chances de sair vencedor.

O produtor Rodrigo Teixeira, com o belíssimo romance LGBT, ‘Me Chame Pelo Seu Nome’, indicado em 4 categorias. Conta a história de Elio, garoto de 17 anos, que se apaixona por Oliver, aluno universitário de seu pai, que vai passar as férias na casa de verão da família, no interior da Itália. Linda mensagem de amor, seus desdobramentos e a aceitação dele como algo tão natural quanto respirar.

Rodrigo Teixeira, atualmente o maior produtor brasileiro em Hollywood. Foto: Ben Gabbe/Getty Images – Reprodução

O mesmo não se pode dizer do diretor conterrâneo de ‘Touro Ferdinando’, Carlos Saldanha. Totalmente eclipsado na premiação pelo sucesso da Pixar, ‘Viva – A Vida é uma Festa, animação que se passa no México durante o ‘Dia de los Muertos’, apresentando as tradições da cultura local e das festividades, embalado por música e muita emoção. Totalmente recomendado.

Outros destaques merecem ser ‘falados’.

A sátira antirracismo travestida de filme de terror, ‘Corra!’, do comediante Jordan Peele, que saiu dos festivais independentes e surpreendeu a todos indo tão longe nas premiações, com condução e resolução tão atuais quanto perturbadoras.

E, claro, o conto de fadas/fantasia/ficção científica de Guillermo del Toro, ‘A Forma da Água’, romance, entre 1 monstro marinho e 1 faxineira muda, em plena Guerra Fria, que aproveita o tema pra discutir o preconceito da época (e que na realidade reverbera até hoje).

Da esquerda pra direita imagens dos filmes ‘Corra!’, ‘A Forma da Água’ e ‘Me Chame Pelo Seu Nome’. Imagem: Reprodução

Ah! Mas o favorito mesmo deve ser ‘Três Anúncios para um Crime’.

Drama que acompanha as atitudes desesperadas de uma mãe procurando justiça pelo assassinato e estupro de sua filha. Humor sarcástico, atuações espetaculares, e personagens inescrupulosamente ambíguos, compõem 1 das narrativas + imprevisíveis do ano, exagerando a realidade pra evidenciar os problemas que persistem na vida real. E ainda guarda espaço pra apresentar 1 personagem feminina extremamente forte sem nenhum tipo de esteriótipo.

O certo é que esta é a edição + aberta e diversificada dos últimos anos.

Às voltas de todos os casos de assédio sendo finalmente escancarados em Hollywood, não poderíamos esperar por -. E este debate ainda deve ser motivo de muitos discursos durante a noite de gala que será transmitida nacionalmente às 10 do próximo domingo.

A expectativa é que nos próximos anos a indústria continue produzindo bons filmes, com bons atores (não importa a etnia deles), com assuntos cada x + contundentes. E, claro, que a Academia continue reconhecendo essas obras. Boas obras cinematográficas refletem a nossa realidade, mas também tem o poder, e a responsabilidade, de moldá-la.

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