Futebol Americano em Terras Caetés
   Felipe  Camelo  │     5 de setembro de 2017   │     14:15  │  2

Se alguém chegasse pra dizer o futebol americano se tornaria popular no Brasil, dificilmente iriamos acreditar. Futebol americano no país do futebol de campo? Como?

Mas a realidade é outra, cada dia o esporte ganha + torcedores e jogadores, inclusive aqui em Maceió, tanto que temos 1 time oficial competindo na Liga Nordeste. Sim, temos 1 time. E eles já levaram + de 2.549 espectadores ao Estádio Rei Pelé.

Foto: Rômulo Guedes/Reprodução

O engajamento começou em 2007, com a criação de 1 comunidade “Futebol Americano em Maceió”, numa rede social. A partir daí, os interessados começaram a se reunir e treinar na areia da praia de Pajuçara. Pouco tempo depois, 3 times eram formados, e em 2011, se uniram e criaram o Maceió Marechais, homenagem a Alagoas que é conhecida como “Terra dos Marechais”.

De lá pra cá, participações em várias competições, sendo campeão no Campeonato Brasileiro Conferência Sul (2012), I Velho Chico Bowl (2015), II Velho Chico Bowl (2016), e finalista do Campeonato Brasileiro Liga Nordeste (2016). Agora em 2017, segue competindo e ocupando o 3º lugar na Liga Nordeste, após vencer por 17 a 0 o Sergipe Redentores, 1 dos seus grandes rivais, no último dia 27, também no Rei Pelé.

Como é 1 esporte novo no Brasil, postamos aqui 1 vídeo, pra que você, internauta, possa conferir e conhecer os movimentos deste esporte tão diferente de todos que se praticam aqui:

Pra conhecermos + sobre a equipe, os desafios, emoções e muito +, conversamos 2 jogadores do Maceió Marechais.

O 1º entrevistado, Luiz Serrano, que joga há 7 anos. Foto: Romildo Soares/Reprodução

Como conheceu o futebol americano?
“Conheci em meados de 2007, em João Pessoa. Lá conheci amigos que praticavam e acabei praticando um pouco e conhecendo o esporte”.

Como entrou no Maceió Marechais?
“Eu entrei em 2010. Entrei bem quando os times que existiam aqui estavam se unificando e fazendo a transição da areia para o gramado. Primeiro na seleção alagoana e em 2011 já como Maceió Marechais, que começou efetivamente na Liga Nordestina de Futebol Americano em 2012. De lá pra cá são 7 anos de estrada”.

Você já é um jogador experiente, como se sente sendo parte deste time?
“Me sinto mais completo. Vejo o time como uma válvula de escape, onde a gente deixa um pouco os problemas de lado, se entretendo e se dedicando na sua melhora e na melhora do conjunto”.

Existe um treinamento diferenciado para este esporte?
“Sim. Claro que existe treinamento de corrida, de agilidade, de força, e fortalecimento que vemos em diversos esportes, mas também existem treinamentos específicos para o nosso esporte. E ate dentro do próprio esporte, ainda existem treinamentos específicos para cada posição”.

Como é jogar futebol americano em um país que tem como maior paixão o futebol de campo?
“Eu diria que é um pouco complicado, visto que ainda há um certo preconceito e desconhecimento ao achar que é um esporte que é pura violência, que não vai dar certo. Em contrapartida a audiência de futebol americano vem crescendo bastante, sendo o Brasil o terceiro lugar no mundo que mais consome a NFL (Nacional Football League) a liga americana de football. E isso reflete também no engajamento das pessoas com o esporte aqui no Brasil, com os times locais”.

Qual é a sensação de ver a torcida aumentando aqui em Maceió?
“Dá uma sensação de orgulho em ser parte disso. Fazer parte desse crescimento é realmente algo muito gratificante. E meu desejo é que esse crescimento continue, eu estarei aqui pra ajudar ainda mais”.

O time conta com algum apoio?
“Atualmente temos alguns apoiadores. Um deles é Academia Extreme, que fica na Jatiúca. Contamos também com o apoio da Secretaria de esporte e Lazer e da CNA Ponta Verde”.

Qual a reação das pessoas quando você fala que joga futebol americano?
“Muitos perguntam curiosos sobre o esporte. Outros já conhecem e perguntam sobre o time. Mas todos aceitam muito bem e sempre dizem que querem assistir algum dia, ou voltar a ir assistir algum jogo”.

No jogo que aconteceu no último domingo vocês ganharam por 17 a 0. Qual foi a sensação?
“Sensação de dever cumprido. Estávamos ansiosos por esse jogo, visto que o nesse jogo o nosso adversário é o nosso maior rival e já vinha de duas vitórias e nós vinhamos de uma derrota. E graças ao nosso foco, deu tudo certo, conseguimos uma boa vitória”.

O que esperar do próximo jogo contra o Caruaru Wolves?
“Acredito que seja um jogo muito difícil. O time deles vem fazendo um bom trabalho no campeonato. Nós precisamos redobrar nossas atenções para sair com o resultado positivo e dar a torcida mais uma vitória”.

E também com a visão de iniciante, Allef Chagas, que entrou na última seletiva em janeiro de 2017. Aqui o jogador da Universidade de Baylor, o americano Dalton Justice, quando veio compartilhar seu conhecimento do esporte. Foto: Acervo Pessoal/Reprodução

Como conheceu o futebol americano?
“Eu conhecia muito pouco do esporte, não entendia as regras e acompanhava esporadicamente apenas o Super Bowl. Ano passado fui convidado por um jogador do time para ir ao jogo da final contra o Tropa Campina lá no Rei Pelé, gostei muito do clima e atmosfera do estádio e também da forma que era o jogo e decidi que iria tentar fazer parte do time no ano seguinte”.

Como entrou no Maceió Marechais?
“Falei com um amigo, Luiz Serrano, que é jogador do time para que quando abrissem as seletivas ele me avisasse. A seletiva aconteceu dia 28/01/2017 e foi aberta para qualquer um que tivesse a vontade de participar da equipe, fui felizardo e consegui passar”.

Você é jogador iniciante, como se sente sendo parte deste time?
“É uma sensação inexplicável, o sentimento de união que temos como equipe é algo que eu nunca tinha vivenciado anteriormente, fazer parte desse ciclo está sendo muito prazeroso”.

Existe um treinamento diferenciado para este esporte?
“Sim, nós treinamos técnicas duas vezes por semana e em outros dois dias temos treinamentos físicos personalizados voltados para a prática do esporte”.

Como é jogar futebol americano em um país que tem como maior paixão o futebol de campo?
“É um esporte diferente, que nunca terá a mesma repercussão e preferência das torcidas aqui no Brasil, como o futebol. Porém, estamos ganhando muitos adeptos e torcedores, não temos a intenção de competir e/ou ganhar a preferência do público, apenas de conquistar nosso espaço e já estamos fazendo isso”.

Qual a reação das pessoas quando você fala que joga futebol americano?
“As pessoas pensam que é um esporte onde vale tudo e só acontece violência, mas quando explico as regras e o que pode ou não, geralmente ficam interessadas em acompanhar, outros falam que combina comigo por praticar lutas também, rsrs”.

Qual é a sensação de ver a torcida aumentando aqui em Maceió?
“É muito gratificante olhar para a arquibancada e ver a torcida te incentivando, dá uma energia e motivação extra que ajuda muito a equipe dentro do campo. Também é bom ver pessoas que não conheciam o esporte, mas através do Marechais começarem a acompanhar e admirar o nosso trabalho”.

No jogo que aconteceu no último domingo vocês ganharam por 17 a 0. Qual foi a sensação?
“Foi um jogo contra o nosso maior rival aqui no Nordeste, mas também foi minha estreia na liga. Anteriormente tinha participado de amistosos contra o Arcoverde Templários-PE e o Natal Scorpions-RN. Além de ser a primeira vitória na temporada foi o primeiro jogo com a torcida nos apoiando, então posso dizer que foi a melhor sensação possível”.

O que esperar do próximo jogo contra o Caruaru Wolves?
“Podem esperar a equipe do Maceió Marechais ainda mais preparada e focada do que nesse jogo, a equipe do Wolves é a líder da nossa chave, então temos que entrar concentrados desde o primeiro segundo de jogo para conquistarmos mais uma vitória que nos deixará mais perto da classificação para os Playoffs. Então a dedicação do time e o apoio do nosso torcedor é crucial para garantirmos o resultado”.

Próximo jogo do Marechais pela Liga Nordeste, contra o Caruaru Wolves, às 3 da tarde do dia 17 de setembro, no Rei Pelé.

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COMENTÁRIOS
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  1. Victor André Carneiro Magalhães

    Felipe, próximo domingo, dia 10/09, teremos a final da Pré-Liga Nordeste, entre CASA Guerreiros e Recife Vikings no Estádio Rei Pelé, na disputa de uma vaga na Liga Nacional do próximo ano.

    A equipe alagoana vem de uma vitória de 42×0, estamos confiantes que conseguiremos essa vaga.

    Abraços e obrigado ao espaço que vem dando ao Futebol Americano no Estado.

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