Imagens e Versos, Retratando a Vida
   Felipe  Camelo  │     6 de julho de 2017   │     14:21  │  0

Paixão. É isso que sentimos ao entrevistar o fotógrafo e cordelista José Feitosa, ou melhor, Zé da Feira. Olhos brilhando e sorriso fácil enquanto falamos sobre o cordel e a fotografia, 2 constantes em sua vida.

Foto: FC

A veia artística vem da genética, sua mãe era desenhista de 1ª, dom que foi passado para seu irmão + velho, mas como ele mesmo disse “Apesar de adorar imagem, adorar as revistas da época, gibis, eu não tinha jeito pra desenhar”. O que lhe despertou para fotografia foi a curiosidade quando se deparou, aos 5 anos, com o lambe-lambe, que via na feira da sua cidade natal Paulo Jacinto, “Se ele não desenha, com é que sai essas fotos?”.

Foto: José Feitosa/Reprodução

O cordel não foi muito diferente, nesta mesma feira se encantou pelos versos rimados. Inclusive, e assim aprendeu as 1ªs letras do alfabeto, ele já estava praticando através desta literatura, “A minha carta de abc, na verdade, foi a literatura de cordel”, diz.

Foto: Reprodução

O 1º que criou foi quando tinha uns 11 anos, em paralelo já aprendia a capturar imagens. O fotojornalismo surgiu na época que fazia o curso prático de fotografia, em Viçosa, onde só tinha o acesso aos jornais quando os encontrava no colégio, “1º eu passava as fotos, pra só depois ler as matérias. Eu basicamente lia pra ver a fotos”. Através das histórias e aventuras do professor, que já tinha certa experiência na área, Feitosa começou a se encaminhar pr’o fotojornalismo.

Fotos: José Feitosa/Reprodução

Para ele o “Cordel é a forma de expressar o sentimento através da palavra, da escrita, da voz”, já a fotografia “É você ver e fazer com que as pessoas enxerguem através do seu olhar”.

Hoje já são + de 50 anos de fotografia e cordel, 50 anos de fotojornalismo e 12 anos na Gazeta. Nesse tempo, suas incríveis fotos circularam o Brasil e fora. A exposição “Sobre os viventes e o Velho Chico, 500 anos depois” passou pelo Museu Théo Brandão, em Maceió, por Brasília, Belo Horizonte, e logo após, convidado pela Embaixada do Brasil, foi expor em Portugal.

E 1 dos seus sonhos de infância se realizou quando conseguiu juntar material fotográfico com a literatura de cordel, “Fazer as narrativas em literatura de cordel. Fazia as fotos, acompanhava o repórter, ele fazia o texto dele, e eu fazia minhas narrativas em cordel e guardava. 1 dia eu comecei a pensar, ‘por que não começar a trabalhar esse ensaio?’, que era a fotorreportagem. Eu faço o ensaio e legendo com meus textos em versos”.

A partir daí, surgiu “Guerreiros da Luz”, abordando crianças e adolescentes vivendo em situação social de risco, motivado pelo trabalho que tinha feito anteriormente para ajudar numa pesquisa em Arapiraca e Palmeira dos Índios.

Foi nesta mostra que o José Feitosa, fotógrafo, se juntou com o Zé da Feira, cordelista.

E claro, não podia ter dado melhor resultado, reconhecido pelo incrível trabalho, a exposição ficou em cartaz pela Europa por 4 anos, expondo pela Itália, Espanha, Alemanha, Áustria, Suíça. Parte do ensaio, inclusive, participou da Conferência da Organização Internacional do Trabalho, em Genebra, como também da Convenção sobre a Proibição das Piores Formas de Trabalho Infantil, no Supremo Tribunal de Justiça, em Brasília.

Sem dúvida, 1 grande fotógrafo e incrível repentista!!!

Feitosa estará às 7 da noite de hoje, na Universidade Federal de Alagoas, para dividir informações, descobertas e experiências com estudantes de Comunicação, abordando sua trajetória e desafios na palestra “Fotografia: conceitos e abordagens para os seguimentos de fotojornalismo”.

Foto: Reprodução

Admiração transborda. Só tenho a desejar ainda + sucesso!!!

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