O que seria Lixo, Trabalho e Renda
   Felipe  Camelo  │     2 de maio de 2017   │     13:55  │  0

Movimento extra de convidados, imprensa, catadoras e catadores das cooperativas e associações nesta 4ª feira, 3º dia útil de maio, no Ginásio do SESI, quando Lina Rosa, idealizadora do Projeto Relix, lança o catálogo de incríveis fotos de Helder Ferrer, que registrou alagoanos que transformam o que seria lixo em trabalho e renda.

Serão entregues 30 Ciclolix (bicicletas coletoras) e lançado o Aplicativolix. O Sesi é parceiro fundamental do projeto. A vida agradece.

A pernambucana Lina Rosa, que também é idealizadora e curadora do Festival Internacional de Teatro de Objetos. Foto: FC

Ressaltando a importância do projeto, por sua grande contribuição para a melhora da qualidade de vida dos catadores de matérias recicláveis, por seu papel na sustentabilidade, na economia.

Temos consciência que o texto a seguir é longo, mas é tão completo sobre assunto de tanta importância, que resolvemos repercutir na íntegra, enviado pela produtora cultural Silvana Valença.

“Recusar uma imagem imposta, repensar o ambiente, reduzir o desperdício, reutilizar para não descartar, reciclar a vida. Os verbos que formam os cinco pilares do Projeto Relix sustentam também a vida das catadoras de lixo que vivem e trabalham em cooperativas de Maceió e outras cidades do Estado.

Fotos: Helder Ferrer/Reprodução

Um catálogo de arte, idealizado pela criadora do Projeto Relix, Lina Rosa, com fotos de Hélder Ferrer, revela a beleza escondida nos lares dessas mulheres fortes e determinadas, para quem o lixo pode sim ser um luxo. As fotos foram captadas durante vários dias em que Ferrer percorreu ruas estreitas e improvisadas da Vila Emater e vizinhanças.

Produzido como uma homenagem à força do feminino na cadeia produtiva da sustentabilidade, na qual a indústria vem assumindo cada vez mais compromissos para a diminuição da geração de resíduos, o catálogo será apresentado no dia 03 de maio, na área administrativa do Ginásio do SESI, em evento para convidados, imprensa, catadoras e catadores das cooperativas e associações que receberão as ecobicicletas coletoras. O material será também distribuído para instituições ligadas a resíduos sólidos, sustentabilidade, meio ambiente, arte, cultura, educação, direitos humanos e direito das mulheres.

No mesmo dia em que as catadoras receberão o catálogo, serão oficialmente entregues 28 CICLOLIX, das 30 doadas pelo projeto, às associações de catadores de Maceió, sertão, agreste e região sul do Estado. Duas ecobicicletas ficarão à espera de legalização de documentos de cooperativas.

Ciclolix são bicicletas especialmente confeccionadas para o projeto. Possuem amassadores de latinhas e podem carregar até meia tonelada de resíduos coletados nas ruas da cidade. Além de proporcionar maior mobilidade e segurança para o trabalhador de reciclagem, são alternativas para que se evite o abuso de animais na coleta de lixo feita por carroças e melhoram o fluxo do trânsito. Em Maceió, as Ciclolix também serão fundamentais para otimizar a coleta seletiva realizada pelas cooperativas, contratação recentemente oficializada pelo município.

Cada Ciclolix será acompanhada por um kit contendo: bolsa de guidão, 2 camisas com proteção U.V., 2 pares de luvas, 2 chapéus com proteção para a nuca, bomba de encher pneu e trava de segurança

Em sintonia com o mundo digital, o Projeto RELIX também apresentará no dia 3 de maio o Aplicativolix. O aplicativo foi criado para contribuir para preservação do meio ambiente e sustentabilidade, oferecendo dicas de separação e destinação de lixo reciclável e localização das cooperativas através de GPS.

Disponível para sistemas Android e iOS, o Aplicativolix oferece download gratuito e traz também uma lista com os telefones e endereços das cooperativas. Dessa maneira, facilita o contato para quem quer entregar seu lixo reciclável, para pequenas e médias empresas e indústrias e condomínios que queiram estabelecer parcerias com as unidades de coleta.

MAIS SOBRE O CATÁLOGO – As fotos são janelas para cenários e rostos que surpreendem, mostrando que muitas vezes o que não serve para uns pode ser ressignificado e reutilizado para além de seu uso comum, em arranjos não apenas práticos, mas de raro senso estético. A confiança foi o ponto de partida do projeto e possibilitou que elas abrissem suas casas e se deixassem fotografar em meio a tudo o que retiraram do lixo para formarem seus lares. Da cama às panelas, roupa íntima, televisão, liquidificador, tudo o que já não servia mais para outros compõe a vida dessas mulheres.

Foram fotografadas mulheres na Vila Emater, onde está localizada a Coopvila, e na Cooplum, cooperativa que funciona no bairro de Jacarecica. Mulheres que fazem parte de cooperativas ou não, mas que trabalham ou já trabalharam com o lixo. Além das fotos de Helder Ferrer, o catálogo apresenta breves históricos da vida dessas divas escritos pela idealizadora do Relix, Lina Rosa.

Projeto multidisciplinar e orgânico, que integra arte, música, teatro, fotografia, tecnologia, mobilidade, educação ambiental, redes sociais e direitos humanos, o Relix tem patrocínio do Sesi.

O nome é uma referência ao conceito de lixo em latim, lix, que significa cinzas. Na antiguidade, a maioria dos resíduos domésticos eram compostos por sobras da lenha, carvão, e cinzas dos fogões e das lareiras, que eram aproveitadas para fabricar sabão. O foco do projeto é promover ações que operem como um ponto de partida para repensarmos a maneira que lidamos com lixo, não só no âmbito coletivo, mas no comportamento do indivíduo.

Entre outras ações na esfera artística, o Relix promoveu também intervenções urbanas com pintura em estêncil em locais de acúmulo de lixo em Maceió. No total, 20 pontos receberam a intervenção com a mensagem dos 5 Rs da sustentabilidade e, também slogan do Relix: Recuse, Repense, Reduza, Reutilize, Recicle. O objetivo é de chamar a atenção da população para o problema gerado pelo descarte inadequado de resíduos.

O Brasil produz 240 mil toneladas de resíduos sólidos urbanos diariamente e ainda engatinha na difícil missão de fechar seus quase 3 mil lixões. Um dos pilares do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, lançado em 2010, é a estruturação de cooperativas para fazer do catador um elo forte entre o plano e as suas conquistas: a cada mil brasileiros, um é catador de lixo.

ECONOMIA do PROJETO RELIX – A ideia de que a responsabilidade pela destinação dos resíduos sólidos diz respeito a cidadãos, trabalhadores e empresários e cabe apenas aos agentes governamentais ganhou fôlego desde a implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) em 2010.

Em Alagoas, O projeto Relix, patrocinado pelo Sesi, é um caso de sucesso que mostra como a parceria entre a indústria e ações de conscientização colaboram com a gestão sustentável da cadeia de suprimentos do setor secundário.

Em sua última edição, ocorrida entre dezembro de 2016 e fevereiro deste ano, um dos braços de arte educação do projeto, o Espetaculix, foi encenado 130 vezes para um público de cerca de 25 mil pessoas. Desse total, quatro mil eram trabalhadores da indústria local.

Foram 21 apresentações em fábricas e empresas de construção civil, além de sessões em teatros, quadras e praças públicas em Maceió e nos municípios de Arapiraca, Delmiro Gouveia e Piranhas. No espetáculo, atores interagem com marionetes, bicicletas coletoras e sacos de lixo para discutir temase conceitos de gestão sustentável, como consumo consciente e Logística Reversa a uma plateia formada por um dos elos mais importantes da cadeia de suprimentos: seus agentes produtores.

Com o objetivo de conscientizar e sensibilizar com humor, a performance é encenada por seis personagens, Raí Repensalix, Renato Recusalix, Rafael Reduzalix, Raul Reutilizalix, Rita Reciclalix, Ricardo Limpalix e Roberto Catalix que interagem com marionetes que personificam o lado “sujo” da cadeia produtiva: Ronaldo Recolix, Rodolfo Bagunçalix, Rubens Sujalix, Rosinha Egoistalix e o Dragão do Lixo, o Gigantelix.

CADEIA RESPONSÁVEL – A responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos e a logística reversa são pilares da Política Nacional de Resíduos Sólidos. A primeira é um conjunto de atribuições que envolvem fabricantes, distribuidores, consumidores e responsáveis pelos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos, com o objetivo de minimizar o volume de resíduos e rejeitos gerados e reduzir seus impactos à saúde e à qualidade ambiental. No Brasil, a aplicação da política é vital para amenizar um cenário crítico: entre as nações emergentes, o país lidera a lista dos que mais acumulam sucata eletrônica no mundo, produzindo mais de 240 mil toneladas de resíduos sólidos urbanos diariamente.

A logística reversa é outro conceito chave da PNRS. Ela trata do fluxo de produtos desde o ponto de consumo até ao local de origem, ou seja, traça o caminho de retorno do material do consumidor ao produtor ou local de descarte seguro com um mínimo de risco ambiental. A coleta seletiva e o retorno de garrafas-vasilhames são exemplos.

“Não se forma uma cadeia sólida de logística reversa sem que cada elo dê a sua colaboração. Mas, para que isso aconteça, é preciso promover uma mudança de comportamento que começa pela conscientização das pessoas, mostrando a elas os impactos positivos da redução do lixo e como a reutilização dos resíduos sólidos é boa para a sociedade, porque conserva o meio ambiente. Existem, ainda, os lados econômico e social, pois a reciclagem gera renda para centenas de família”, destaca Carlos Alberto Paes, Superintendente executivo do Sesi Alagoas.

INTEGRAÇÃO – Inserido na lógica da gestão sustentável, que agrega as dimensões econômica, ambiental e social, o Espetaculix contribui também para a democratização cultural e da formação de plateia: Para a maioria dos trabalhadores da indústria de Alagoas, a performance foi um primeiro e estimulante contato com teatro.

“O projeto leva aos trabalhadores da indústria uma oportunidade de imersão numa vivência de arte”, reforça Lina Rosa, idealizadora e diretora geral do Relix. Além de assistirem à peça, os trabalhadores recebem uma cartilha ilustrada pelo artista plástico paraibano Shiko, com uma abordagem lúdica de orientações sobre redução, reutilização e reciclagem de lixo.

O Relix é um projeto multidisciplinar que opera em rede e integra arte, música, teatro, fotografia, tecnologia, mobilidade, educação ambiental, redes sociais e direitos humanos. Com patrocínio do Sesi, promove ações de reflexão sobre a maneira de lidar com o lixo, não só no âmbito coletivo, mas no individual, ressignificando seu conceito por meio da arte. O nome do projeto faz referência à grafia em latim de lixo, lix, que significa cinzas.

COOPERATIVAS QUE RECEBERÃO AS CICLOLIX

Região Metropolitana – Maceió
04 COOPREL – SERRARIA
04 COOPREL – BENEDITO
03 COOPLUM – JACARECICA
01 COOPVILA – SITIO SÃO JORGE

Região Sul
01 ASCAMARE – CORURIPE
03 ACAMARE – SÃO MIGUEL DOS CAMPOS
04 COOPMARCA – CAMPO ALEGRE

Região Agreste
03 ASCARA – ARAPIRACA
01 ACAMRPI – PALMEIRA DOS ÍNDIOS

Região Sertão
02 ASCADEL – DELMIRO
02 ASCARPI – PIRANHAS

FOTÓGRAFO

Dedicado à fotografia há quase 3 décadas, Helder Ferrer realizou exposições em
galerias do Recife, de São Paulo, Nova Iorque, Paris e Barcelona. Editou livros
de arte da importância de Brennand Desenhos.

Participou de publicaçõesexpressivas, como a Vogue Brasil e a Vogue Alemanha, ‘Brésil héritage African’ do Musée Dapper de Paris e Staatliche Kunsthalle de Berlin. Fotografou para o Philadelphia Museum of Modern Art. Realizou trabalhos para Francisco
Brennand, Janete Costa, João Câmara, Samico, José Cláudio, Ariano Suassuna,
Gil Vicente, entre outros.

Cursou Jornalismo na Universidade Católica de Pernambuco. Experienciou o fotojornalismo à frente do Suplemento Cultural do Diário Oficial. Estudou fotografia em Nova Iorque e Barcelona, cidades onde morou e realizou diversos trabalhos na área.

Como fotógrafo publicitário, recebeu vários prêmios nacionais, trabalhando com as mais importantes agências de Pernambuco. Em 2004, foi convidado pelo curador e diretor de museu Emanoel Araújo para participar da exposição e do livro Brasileiro,
Brasileiros no Museu Afro-Brasil, em São Paulo, e compor o seu acervo com as
fotografias que integram a série Azougue.

Como fotógrafo convidado, fez os ensaios das exposições que celebraram os centenários de Vitalino e de Luiz Gonzaga: 100 Olhares de Vitalino, em 2009, e Baixio dos Doidos, em 2012. Ambas em Caruaru com repercussão nacional, visitadas por cerca de 100 mil
pessoas. Em 2011, fotografou o livro Samico, vencedor do 54º Prêmio Jabuti/2012, na categoria Artes.”.

Além desta foto, outras imagens e + informações no http://felipecamelo.blogsdagazetaweb.com/2017/01/07/repensar-reciclar-reduzir-reutilizar/

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