Quando o Fim é Recomeço
   Felipe  Camelo  │     4 de agosto de 2016   │     11:00  │  0

Reproduzo aqui na íntegra o texto do jornalista, recém-formado, Fernando Lima, que passou 2 anos estagiando e colaborando com este blog.

“Dizer adeus não é tarefa fácil. Mas, em muitos momentos, de extrema importância. O final muitas vezes significa o começo, o início de coisas novas.

É neste clima de despedida, mas, ao mesmo tempo, de busca por alçar novos voos, que o grupo teatral Claricena apresenta seu mais novo e último espetáculo: Adeus, Clarice! Que será apresentado no Teatro de Arena Sérgio Cardoso (complexo do Teatro Deodoro) nos próximos dias 5, às 20h, e 6 de agosto, em apresentação dupla às 16h e às 18h.

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Fotos: Washington da Anunciação/ Reprodução

A intenção da equipe e do diretor e fundador do projeto, Anderson Vieira, é oferecer ao público alagoano um espetáculo memorável para marcar a despedida do grupo do cenário teatral local.

A história de passa no Jardim Alagoas e é protagonizada por Angélica, Violeta, Tulipa, Vitória-régia, Orquídea, Lírio, Margarida, Cravo, Rosa, Narciso e Açucena que, como os nomes já sugerem, são flores, que possuem personalidades, paixões e anseios totalmente opostos, mas que chegam a mesma conclusão: A necessidade de partir, já que o jardim onde vivem não produz mais felicidade, esperança e alegria como antes.

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‘A mensagem que passaremos é simples, mas o que o público vai receber é tão incerto. É tudo tão incerto. Estamos falando sobre uma mudança de flores de um jardim para outro, de flores humanizadas que amam, dançam e cantam. Talvez estejamos falando sobre a saudade e solidão’, explicou Anderson Vieira

Essa trajetória de partida, bastante similar com a vivida pelo grupo na realidade, vai ser contada no palco de forma emocionante e com a presença constante de músicas regionais, que é um dos grandes diferenciais do espetáculo.

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‘Não considero nosso espetáculo um musical. O que fizemos foi uma manifestação de sentimentos de forma cantada. Algo bem simples, como quando cantamos no chuveiro, por exemplo’, ressaltou.

Assim como nos espetáculos anteriores, ‘Espectro’ e ‘A Granja dos Corações Amargurados’, a obra de Clarice Lispector também serviu de inspiração para a concepção da história.

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‘Eu me inspirei em um contexto maior do que a obra de Clarice. Busquei trazer a finalização do Projeto Claricena em Alagoas para a cena, propondo uma despedida do projeto e dos atores ao público e a Clarice Lispector. Embora isso fique de forma subjetiva em cena, esse foi o nosso ponta pé inicial, que resultou em uma dramaturgia escrita coletivamente. Mas se eu tivesse que citar uma obra que me inspirou eu citaria ‘correspondências’ um livro que reúne cartas recebida e enviadas de Clarice Lispector, que me trouxe muito esse contexto de despedida e saudade. Outro que me inspirou para contextualizar nosso espetáculo com a cultura local foi A Hora da Estrela, e para compor os personagens Água Viva’, explicou o diretor sobre a concepção da trama.

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‘Para compor este último espetáculo do Projeto em Alagoas, buscamos, como sempre, falar sobre os conflitos individuais e humanos, de relações simples e amorosas e sobre a solidão, algo mais interno do que a relação com a sociedade. Seguimos muitas vezes na contramão do que é apresentado no estado, mas o Projeto Claricena é assim, é como à vontade de tomar sorvete. Um café não vai satisfazer (risos)’, concluiu”.

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