Na tela e na Vida, distinção de cores
   Fernando  Lima  │     29 de fevereiro de 2016   │     12:39  │  0

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Chris Rock fez 1 polêmico discurso na abertura da premiação sobre o problema diversidade (Reprodução)

Tirando o foco, geral mundo afora, do glamour da cerimônia de entrega do Oscar, a premiação + importante do cinema mundial, que aconteceu na noite de ontem, foi marcada + 1 X por acusações de discriminação racial.

Pelo 2º ano consecutivo, nenhum negro estava entre os 20 candidatos nas categorias que reconhecem as melhores interpretações do ano.

Em 2015, foi criada a hashtag #OscarsSoWhite (#OscarMuitoBranco) nas redes sociais. Neste ano, os internautas não deixaram de se posicionar. Inclusive, algumas celebridades se manifestaram a respeito.

“Eu estou considerando não ir, é nesse pé que estou nesse momento. Eu acordei pensando ‘qual é a melhor maneira de lidar com isso?’. Porque se você olhar para o legado de Martin Luther King é que boas pessoas que não agem são muito piores que as ruins que agem. Mas o problema não está no Oscar, mas em todo o sistema americano”. Disse o ator Mark Ruffallo, indicado este ano por “Spotlight” e no ano passado por “Foxcatcher”, em seu twitter.

Para Viola Davis, indicada 2 vezes pelos filmes “Dúvida” e “Histórias Cruzadas“, o problema não é o Oscar. “O Oscar é apenas 1 sintoma de 1 problema muito maior que é o sistema da indústria de cinema de Hollywood. Quantos filmes estão sendo produzidos que possuem negros? + filmes precisam ser feitos onde possamos aparecer. Este é o problema. A oportunidade não equivale ao talento. É necessário haver + oportunidade, só isso. E temos que investir nisso.”

Em entrevista ao site americano Deadline, a presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, Cheryl Boone Isaacs, 1ª mulher negra eleita para o cargo (ela assumiu em 2013) lamentou: “É claro que eu estou desapontada, mas isso não tira a grandeza [dos filmes indicados]”.

“Este foi 1 ano incrível para o cinema, sob todos os aspectos. [Mas] Você nunca sabe o que vai estar na folha de papel [com os nomes dos indicados] até vê-la” Disse. A presidente ainda reconheceu a lentidão na promoção de diversidade na Academia. “Nós temos de acelerar isso”, concluiu.

Durante a cerimonia, o comediante e anfitrião da noite Chris Rock, fez 1 forte discurso, no melhor estilo morde e assopra, sobre o problema da diversidade na indústria de entretenimento.

“Bem, estou aqui no Oscar, também conhecido como o White People Choice Awards”, ironizou o apresentador.

“A grande questão é: por que estamos protestando? Por que nesse Oscar? É a 88ª edição do prêmio. Quer dizer que essa coisa toda de não indicarem negros aconteceu pelo menos outras 71 vezes. Você imagina que poderia ter acontecido nos anos 50, nos 60… e tenho certeza de que não houve indicações. Sabe por quê? Porque nós tínhamos coisas de verdade para protestar contra naquela época. Estávamos ocupados demais sendo estuprados e linchados para se importar com quem venceu [na categoria] melhor direção de fotografia. Quando a sua avó está enforcada em uma árvore, é realmente difícil pensar em quem venceu o melhor curta-metragem de documentário estrangeiro.” afirmou também Rock.

Na história da premiação, a 1ª aparição de 1 negro na lista dos vencedores do Oscar foi Hattie McDaniel, em 1940, na categoria de atriz coadjuvante por seu papel no clássico “…E o vento levou”. Ao vencer, ganhou além do reconhecimento da crítica, do público. Com tudo isto, só se veria outro negro alcançar tal feito 24 anos depois, quando, em 1964, Sidney Poitier se tornou o 1 homem negro a ganhar 1 Oscar de Melhor Ator, pelo filme “Uma voz nas sombras”, com direção de Ralph Nelson.

Não é preciso se aprofundar muito na história do cinema para encontrar negros e negras que, entre 1941 e 1963, tiveram desempenho igualmente excepcional que os outros 96 atores brancos premiados com a estatueta ao longo deste tempo, mas que não foram reconhecidos por isto.

Ao longo de 88 edições, apenas 14 negros ganharam a estatueta, em contra partida, são + de 338 vencedores brancos. É fato que existiu ao longo dos anos, e ainda existe, distinção entre raças. Negros e brancos ainda não são vistos como iguais, não tem as mesmas oportunidades, o mesmo destaque, o mesmo salário e muito menos o mesmo reconhecimento.

Nós aqui do blog, acreditamos que a raça é única, humana, sem distinção de cores. Então, partindo desse princípio, somos todos iguais, ninguém melhor ou pior que ninguém.

E por falar nisso, absurdo ainda existirem em pleno século XXI seguidores de Hitler, cujo livro deve ser relançado este ano em que o chanceler alemão completa 70 anos de morte. Mein Kampf (Minha luta, em português), é manifesto nazista escrito entre 1924 e 1925, quando desumano líder tinha 35 anos.

De acordo com a lei, após 70 anos da morte do autor, 1 livro passa a ser domínio público, sendo assim, qualquer 1 tem o direito de publicá-lo.

A Alemanha então se vê em 1 difícil dilema: Permitir a circulação de 1 obra ou preservar a dignidade das vítimas das atrocidades patrocinadas pela ideologia presente nela?

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